quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

17/01/2012

Ainda sobre o tempo, esqueci de comentar. Parece que to aqui ha meses, na moral. nao é que eu super não goste, mas é unânime o que todos dizem sobre um dia parecer uma semana e uma semana parecer um mês. Alias, hoje foi meu 19º dia, o que em dias-navio significa mais de 4 meses haha
Tanto que anteontem, voltando do crew bar, resolvi que daria um tempo do circuito night life daqui. "Dar um tempo" por aqui significa sumir por três noites. Maximo 4. Senão também periga esquecerem que você existe. Também periga enlouquecer com tanto tempo na cabine.
Explico por que resolvi dar esse tempo. claro que tem a ver com homem. Tem o carioca, o Bruno. E tem o paulistano, o Juan. Este, naquela noite em que escrevi que me encontrei com ele, chegou chegandão, e eu bravamente resisti (quase não consegui), porque minha primeira opção é o Bruno. E eles são amigos e trabalham juntos. Acontece que eu pedi pra Andrea sondar o Bruno em relação a mim e este lhe disse que não queria ficar com mais ninguém por ficar porque ele teve um namoradinho a bordo que, depois de umas duas semanas, estava indeciso e deu um pé nele. Ele quer alguém for good. E então tem medo de se envolver e bla bla bla. No entanto, disse que me curtia e tals. Aih, anteontem à noite, ele e eu conversamos sobre a relação que ele teve e sobre o esperavamos de alguém a bordo, etc. Foi a primeira vez que tivemos uma conversa "soh nos dois" * . O problema é que Juan e eu, carência de bordo que existe em todos, estamos sempre de abracinhos e de deitar no colo e etc. E, no dia seguinte, o Bruno comentou com a Andrea que achava aquilo estranho, que, como ele quer alguém for real, aquele comportamento fazia parecer que eu meio que tava com o Juan, enfim... Pode parecer idiota, mas aqui não é. Tanto é que duas pessoas ja vieram me perguntar se eu tava com o Juan --' Aih a Andrea me deu um toque que se eu queria investir no Bruno, eu precisava acabar com esse tipo de comportamento publico com o Juan. Mas como eu não sei dizer não a ninguém, eu preferi desaparecer da noite pra pensar no que fazer. Mas claro que ainda não pensei em nada e provavelmente não vou. Toda essa indecisão explico por quê. o Juan ja é alguém certo, um passaro na mão, e o Bruno é so uma possibilidade, ainda que grande. O Juan me parece mais leve e descomplicado, mas o Bruno é taaaaao mais bonito e gostoso. Fica dificil cortar o Juan pra tentar o Bruno. Mas também fica dificil ficar logo com o Juan e perder as chances com o Bruno. Manjam?

* Coloquei essa nota de rodapé pra explicar o porquê das aspas. Aqui é muito foda você ter a oportunidade de falar com alguém a sos. Isso simplesmente nunca acontece. Você sempre chega no bar ou no smoking point e encontra todo mundo (literalmente) e você nunca, nunca mesmo, fica sozinho com quem você quer falar a sos. It sucks. Essa conversa "soh com o Bruno" que tive, foi na mesa cheia de gente, mas tipo papo paralelo, sendo interrompidos e tendo que ser discretos pra ninguém ouvir.

Vou dormir!

20/1/2012
é uma pena que eu nao possa postar sempre que escrevo, porque aqui o que aconteceu ontem aconteceu ha muito tempo.
Antes de contar o baphon, preciso fazer um adendo (adento?): mudei de cabine =) Como o Jonathan ficou sozinho na cabine semana passada e ficaria com o novo menino, que entrou ontem, eu pedi pra vir pra cabine dele, decisão que ficou conhecida como A Mais Sabia do Mundo. Me livrei do mala do Thomas, estou morando com uma biba ponta firme e o melhor de tudo: ele trabalha à noite, which means: eu tenho a cabine so pra mim todas as noites EVAH =D Agora, vamos aos bophes...
Daih que depois de ter "sumido" do circuito por duas noites (três felizmente nao consegui), a Andrea me chamou anteontem pra ir ao Crew Bar caso o Bruno fosse, ja que iam correr juntos à noite. Fui. Bebi umas duas cervejinhas, uma vodka, e, quando o Bruno ensinuou que ia embora dormir, chamei-o pra fumar um cigarro na crew beach. A crew beach é um lugar que de beach so tem o nome, porque este navio é um dos unicos da Costa que nao tem jacuzzi pra tripulante. é um espaço aberto na proa, com smoking point, e do qual o Bruno ja tinha me dito gostar de ir à noite, porque nunca tem ninguém, da pra ver o céu estrelado, etc. Ele topou e, quando la chegamos, estava chovendo, entao chamei-o pra fumar um cigarro no banheiro da minha cabine. Convite glamuroso. Fumamos, ouvimos uma musiquinha e, quando ele ensinuou (maldita falta de internet pra tirar a duvida de como se escreve ensinuar ou insinuar) que ia embora, falei "dorme aqui comigo", o que ele topou de imediato. E aih gente... concluindo... to assim... digamos... oh céus... apaixonado?!
Ficamos de carinhos por horas e como, eu ja sabia, segundo ele e a Andrea, ele nunca tinha transado com o ex-namoradinho-de-bordo de uma semana, fiz a linha boa moça. E foi fofo, eu também curto isso, vocês sabem. Aih ontem teve uma crew party, fizemos um social, viemos cedo pra cabine e rolou uma pegação maior (mas ainda de cuecas apenas) e hoje de manhã idem e eu soh tenho uma coisa pra dizer: todas vocês morreriam de inveja hahahah Ele é moreno, bem tipo carioca mesmo, sarado, peitoral, tanquinho, a panturrilha parece um tijolo e um pau fenomenal. As vezes eu nem acredito. Beija bem, tem pegada. E o melhor de tudo: é fofo, educado, inteligente, tem um sorriso lindo, é simpatico. Com um cara assim num lugar desses é quase impossivel não se apaixonar em duas noites.
Tenho muito medo de quebrar a cara. Muito. Porque se isso acontece, você não tem o que fazer, não tem aonde ir, pra onde fugir. Sei que eu devia segurar a onda, gente, mas é impossivel. Anos sem gostar de ninguém e me aparece um homem desses. Num lugar em que a carência das pessoas é elevada à décima potência (e a minha ja não era pequena). Não vai dar pra não mijogar nessa "relação", mesmo que depois eu tome no cu.

21/01/12
Escrever por data parece muito um diario de bordo. e é, então vou continuar fazendo isso.
Sobre o ambiente daqui... não é nenhum bicho de sete cabeças como ouvimos de fora. Pelo menos não no meu departamento. essa estoria de ganhar warning por qualquer coisa é bobagem. eles nao podem simplesmente sair dando warning, senao teriam que demitir muita gente e, oi, falta gente pra trabalhar nesse lugar.
o mais legal aqui é que é um cruzeiro das loucas mesmo. é muuuuita bicha e muito sapatão. e, como em qualquer lugar do mundo, a grande minoria é pegavel, mas não deixa de ser divertido. e os héteros, coitados, acabam virando muito gay friendly... dao beijo no rosto, se insinuam, fazem graça. e muitos acabam pegando homem pq é o q tem pra hoje pra eles. indianos, filipinos, chineses, etc, acabam se acostumando, o que também é engraçado. mas muitos ainda dao aqueeela olhada qd passa casal de homem ou de mulher pelos corredores. falando nisso, o corredor que da acesso ao crew bar, aos "refeitorios" e a um dos smoking points é conhecido como Augusta. Mas antes fosse... entrei aqui pensando que so teria maluco, bar lotado, crew parties bombantes, maaaannnnnnnssss... o bar so começa a ter gente la pela meia-noite e, muitas vezes, como hoje (que eu tava de pé às 5h da matina), eu ja quero estar deitado a essa hora. e mesmo assim, é muita gente tomando coca-cola. aih chega a crew party e colocam um tiozao italiano pançudo pra ser o DJ e a festa acaba virando sempre uma mistura de micareta (Ivete Sangalo é a preferida) e baile funk (certeza que o padre, que é quem organiza as festas, não entende a letra). Foda. Aih o jeito é beber e socializar ao arredores da pista, dançandinho no maximo. Os tripulantes que estao aqui transferidos de outro navio ou que tramparam em outro navio em contratos anteriores, detestam o Victoria. Pq é pequeno, velho, parece um labirinto, todo mundo mora num deck diferente, etc. Eu não tenho parâmetro, então não chego a detestar. E em navios grandes a recepção trampa mais, então não reclamo.
Falando nisso, que pregui da recepção. Ja começo a tratar mal os argentinos. Brasileiros eu trato feliz da vida, pq tudo o que eu ouço o dia inteiro é o maldito castellano. E olha que a maioria dos passageiros são brasileiros. E sabem o porquê de eu mal falar português? Porque os argentinos são burros, chatos, insistentes, repetitivos e extremamente dependentes. TODOS chegam na recepção e começam assim "una pregunta", ou "una preguntita", ou "una consulta" e eu tenho vontade de socar a cara de cada um deles. E eles sempre acabam fazendo não uma, mas quinze preguntitas. Chega a tal ponto, que quando perguntam algo em que a resposta é "sim" ou "não", ficam parados na sua frente tentando pensar em outra pergunta ou perguntando mais três ou quatro vezes a mesma coisa so pra confirmar. E eu soh fico no "si. si. si. si." cada vez menos simpatico.
E são pobres!!!!!!!!! Vem com os pesos contados e ficam pedindo extrato da conta na recepção pelo menos duas vezes por dia. Debruçam no balcão pra conferir item por item e encher o saco, mesmo tendo uma fila enorme atras. E esquecem o que consomem, sempre acham que tão sendo passados pra tras, e ficam "preguntando". Vai se foder. Sei que quando essa temporada passar eu vou conseguir terminar o contrato, porque quem aguenta argentino aguenta qualquer povo do mundo, até os franceses.
Desabafei.
Vou dar uma cochilada, esperando dormir com um tal moreno alto, bonito e sensual de novo.

26/01/12
é incrivel como alegria de pobre realmente dura pouco. E então que anteontem à noite, no bar, uma biba fofoqueira veio me perguntar se eu tinha pegado o Bruno... o que até entao, de minha parte, era meio segredo. Nao pude negar, ja curiosa que estava eu. Perguntei como ela soube e vejam soh mais ou menos a transcrição da resposta: "o Bruno não sabia que a gente era amigo e veio me dizer que pegou um menino da recepção, o do nome estranho... ele é meio pacato, mas ja que não tenho mais o Dani..." Dani é o ex namoradinho dele. Pois é gente... Pelo menos na noite anterior a essa descoberta, finalmente tocamo-nos uma punhetinha. Afinal, se este for ja o fim da relação, pelo menos não foi de todo em vão. Ja começo a lamentar a perda daquele pau mara. Fiquei muito de cara e decepcionado. Ignorei ele na noite seguinte, no bar, e fui linda pra discoteca dos passgeiros - à qual ele, crew que é, não tem acesso beijos. Ontem não fui ao bar, então não o vi. E não sei como agir, não sei o que dizer, então acho que enquanto penso nisso, vou continuar ignorando pra ver se ele vem falar alguma coisa. Alguma coisa ele tera de dizer alguma hora, porque afinal ele tem coisas na minha cabine para pegar. E o pior é que antes eu tinha a opção de pegar o Juan, mas este, amigo do Bruno que é, com certeza ja perdi também e agora não tenho nem opção mais. Mas antes que vocês se preocupem, ja venho dizer que não dou dando muito moral pra isso mais não. Do mesmo jeito que aqui a gente se apega em dois dias, a gente se desapega em três.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Tomar uma cervejinha, vê os bofim...

Então que ser carne nova num navio é muito demais. Hoje é meu 14º dia (e contando...), entao ja to perdendo a graça se pa. Mas bem no inicio ficava sabendo de alguém a fim de mim a cada dia. Mas adivinha: tive que curtir alguém que, de tão discreto, quase nunca o vejo e não faço ideia do que ele pensa de mim. é brasileiro, e cleaner. Um pouquinho menos baixo que eu, moreninho, querido, uma graça. Soube que ele namorava a bordo e, ha um mês, o namorado desembarcou por motivos pessoais. Dois ou trêsdias atras soube que o namorado dele embarcou de novo aqui e, desde então, vejo o Leonardo menos ainda. Não sei se estão juntos, mas enfim... ta dificil. Niki o navio inteiro ja sabe que eu sou a fim dele. O outro que curto é um carioca moreno, uma coisa de simpatia e educação, sarado... mas esse também é dificil saber.
Ainda nesse assunto e voltandinho ao meu cabinmate... eu tava por cima da carne seca depois que ouvi ele falando de mim, mas é calaaaro que dei um jeito de pisar na bola. Numa noite dessas, uma semana atras, depois do crew bar, o Silvio me liga. Este é um dos que são a fim de mim. Trabalha no shopping, um amorzinho, mas parece o Ben de Lost, pra quem assistiu. Este me ligou na cabine, quase madruga, perguntando se eu queria ir dormir com ele. Como nao sei dizer nao, falei pra ele descer pra minha. Com o telefone, o Thom acordou, perguntou quem era, eu disse que era engano. No meu raciocinio de bêbado, ele iria dormir nos proximos 30segundos, antes do Silvio chegar. Aham. O Silvio chegou, trouxe ele mocado pra minha cama e ficamos de pegaçao um bom tempo até que o Thom, obviamente acordado, levantou, se vestiu no escuro e, puto da cara, saiu da cabine sem dizer palavra. No outro dia, pedi desculpas e, enfim, continuamos nos suportando. Mas, na moral, ele so come, dorme e trabalha. E trabalha mal, ta sempre se estabanando ao atender passageiros, da muita informação errada. Nao fez amigos, é chato e fede. Como eu disse, ele nao tem perfil, tadinho. Sobre o Silvio, ele ficou todo meloso pra mim nos dias seguintes, ao que nao correspondi. Soube que ele ja se ligou que ja era, a Andrea, tb amiga dele, me contou. C'est la vie...
Anteontem teve crew party. Foi a segunda. E pela segunda vez fomos pra crew bitch, soh as fervidas, la pelas 2h, qd o bar fecha. E de la, fui pra cabine de um italiano que, gente, creiam-me: é um TENOR. Assisti um show dele esses dias. Peguei meu proprio Andrea Boccelli hahahah... é um tiozao gostosao, meio fetiche "bear", com um pinto mara. Ele ta de rolo com uma bichinha casada, que embarcou no mesmo dia que eu, cujo marido esta sendo transferido pra este navio. Vagabundinha. O caso é secreto, porque aqui a fofoca voa. Mas, bem relacionado que ja estou, descobri. E hoje ela veio me perguntar se eu tinha pegado o Samuele, ao que obviamente respondi que não. Em tom de brincadeira, disse que me esfolava na gilete se descobrisse. Tadinha, ela tem um caso, o marido ta pra chegar e ela acha que pode ME chantagear --'
Meu bloqueio psico-sexual super felizmente não deu sinal de existência aqui. E que assim permaneça para todo o sempre, amém.
Bom, com o Samuele acho que posso transar eventualmente, porque ele pega todo mundo mesmo, na discrição. é italiano, quem fofoca mesmo são os brasileiros. Mas semana passada embarcou um paulistano, do Room Service, e hoje saimos pra almoçar juntos em Buenos Aires. Vou tirar um cochilo agora e mais tarde vou encontra-lo no crew bar. é a primeira vez que to a fim de alguém que ta a fim de mim.
Sobre alcool, estou bebendo mais em frequência e menos em quantidade. Todo fim do dia, vou no crew bar, pego uma cerveja e vou pro smoking point, fumar todos os cigarros que deixei de fumar nas horas de trabalho. Também aprendi que fumar no banheiro é susse. Um amigo me contou que conhece duas pessoas no navio que fumam bec, mas não me contou quem são, por discrição, embora eu lhe tivesse me descrevido como "maconheiro em abstinência". até eu achar os maconheiros aqui ainda leva um tempo acho.
Enfim, genchy, quanto a alcool, o negocio é esse: so bebi pra valeeer nas crew parties, mas como o tempo é limitado, não chego a ficar loucão. O que é otimo, porque ressaca moral aqui deve ser FODA!! Vc nao tem pra onde fugir. Vê e vera as mesmas pessoas todos os dias, por meses. E todos vão saber o que você fez. Não tenho vergonha de dizer que aqui não sou o mesmo que em terra. Você não pode ser o mesmo, é simples assim. Você tem que se segurar, pensar no que faz e, especialmente, no que fala. Não rola ficar falando de picas com qualquer um, mesmo com os novos amigos, tipo a Andrea, porque aqui você não tem um mundo de opções de pessoas pra escolher pra amigo, como acontece em terra. Parece estranho, mas é acostumavel. Mas realmente não é pra qualquer um. To me considerando muito adaptavel e tenho orgulho disso.

O tempo...
Tento sempre seguir pensando numa coisa que uma mina aqui me disse no meu segundo dia. aqui é igual Alcoolicos Anônimos: é soh por hoje. Porque se você ficar pensando que tem oito meses de contrato pra cumprir, vc enlouquece. Sobrevive-se diariamente.
Fiquei feliz com a escala, apesar de não ser muito facilitadora pra descer nos lugares, por enquanto. Vim pensando que trabalharia 13h por dia ou mais, mas até hoje so trabalhei entre 9 e 11h, dependendo do dia.
Aqui me sinto naquele filme "Contra o Tempo", com o Justin Timberlake, em que você vive correndo, olhando pra um relogio que é parte de você, porque tempo é vida. Eu ja sei quanto tempo levo pra trocar de roupa, pra trocar de uniforme, pra fazer a barba, pra atravessar o navio pra ir pro refeitorio, pra fumar um cigarro. E faço tudo muito rapido. Isso porque você calcula minutos e aproveita cada minuto de folga. Seja pra dormir, comer, beber, sair, passear, socializar.
Amanha talvez eu dê um rolê por Montevideo, nas minhas três horas livres à tarde --' Alias, alguém sabe se a Irene ta morando la ou em Curitiba? Se for la, alguém ja deixa ela de sobreaviso, porque to em Montevideo toda semana e adouraria encontra-la.
Bom, vou indo nessa porque tenho 1h e 24 minutos pra dormir, pra me arrumar em 13 minutos pra me encontrar com o piah às 22h30. Isso porque levo uns 3 minutos pra atravessar o navio pra chegar no bar. hahahaha

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

News from board

Você é jogado no navio, que parece um labirinto. é apresentado aos chefes, em italiano, que descobrem que você, da recepção de um navio de uma empresa italiana, não fala italiano. estou na minha cabine, é meu quinto dia. não sei por onde começar, porque parece que fazem cinco semanas, pelo menos, que saih de curitiba.

Meu cabinmate
Estou morando com piah que embarcou no mesmo dia que eu, o Tomas, que também é guest service. é carioca, o pai é francês, então nem preciso dizer que ele não tem nada de carioca, pq a malice francesa sempre havera de prevalecer no sangue ele é magrelo, alto, gostosinho (bendita genética francesa), com aqueeeles dentes (maldita higiene bucal francesa). me pareceu convivivel, mas desde o inicio soube que nao teriamos assuntos afins. ele é certinho, tem uma postura, um jeito de falar educado que irrita e não parece beber. mas hoje aconteceu A situação, então nesse momento eu queria mesmo é que ele pegasse fogo. Num treinamento, numa sala, cheguei e sentei atras dele, do que ele não se deu conta. ele conversava com um cara, também recém chegado. falavam de mulher e tal e o Thomas disse que queria morar sozinho numa cabine porque o roommate dele (eu) era... e fez aquele gesto da maozinha quebrada. e acrescentou: to me sentindo em extinção, na recepção todos são (gays). poderia ter me segurado pra ouvir mais, claro, mas claro que disse, sem me alterar: to aqui, Thomas =) O cara não sabia onde enfiar a cara e me pediumil desculpas, sempre começando com aquele papo "Você sabe que eu não tenho nada contra..." Aham, Claudia. Um: não sei nada de você, nem te conheço. Dois: cago pro que você pensa. Claro que não era hora nem local pra discutir qualquer coisa com um bosta como ele e claro que não vou fazer a maldito, afinal moro numa cabine de 10m2 E trabalho com ele. Mas contei SIMa situação pra uma broda e um broda (bicha) na recepção, que ja nao iam muito com a cara dele. Agora não vão MESMO. Homofobia não é uma coisa muito bem vista por aqui. E outra, não é por nada, mas ele não tem NENHUM perfil. Espero que peça agua.

O trampo
Gostei dos meus colegas e dos meus chefes. Todos se dão bem e não tem a paunocuzice que eu esperava. A minha Sênior é uma senhora muito feia, mas muito gente boa. Mas tenho medo de vê-la puta da cara. Sabe aquelas pessoas que de carinha sorridente podem virar um capeta se ficam irritadas. Ja vi ela destratar passageiros, é demais. Tem a Andrea, linda e de humor acido. Fica inexpressiva quando um passageiro chato esta reclamando, tenho tentado imitar a cara dela. Pena que não bebe, poderia ser parceira. Tem o Johnatan, uma bichinha muito caricata, toda engimadinha, no primeiro dia não tinha ido muito com a cara dele, mas agora vou. O jeito dele me lembra o Jones, meu antigo roommate, pra quem conheceu. E tem o Cleiton, uma bicha mineira, que eu tinha curtido no curso da Costa, não sei porquê, é muito feio. Risos. é gente boa, sotaquezinho caipira e tal, mas como os demais, não bebe. Tem a Sonali, que é mais ou menos Guest Service, que é otima pra explicar e tal, super prestativa, engraçada, mas por algum motivo algo me diz que minha AMIGA ela não vai ser. Pena, porque essa sim bebe =/ E a Veronica, também mais ou menos da minha função, uma italiana, coisa mais linda, meiga, prestativa, bebe... poderia ser minha best, mas logo desembarca e, como namora nosso chefe, não a vejo muito fora do trampo.
O trampo é tipo recepção de hotel. Reclamações parecidas, com alguns adicionais. Hospedes e passageiros são malas iguais. Mas uma coisa que eu não sabia, eu descobri: eu DETESTO argentinos. Taih um povinho pobre mais chato e metido a besta que os brasileiros emergentes. NOJO. E vou ter de aguenta-los por pelo menos dois meses. To aprendendo muito rapido. São cinco dias e ja sei fazer quase tudo, ao contrario do Thomas, beijos. Alias, ser chamado de Tom por aqui é algo que definitivamente não vai rolar. Na recepção tem um Cleiton e ja tinha um Thomas. Com a chegada do novo Thomas, este passou a se chamar Thom, pra ser diferenciado. Eu estou tento que me reacostumar a usar meu proprio nome, and it sucks. A lot. Estão me chamando de Gy, pra facilitar, o que até prefiro. Mas aih toda vez que alguém cha&ma o Thom, eu olho/respondo e quando me chamam, têm que ficar gritando "Gy" mil vezes porque eu não me dou conta de que sou eu. Acho que meus colegas ja me curtem. Percebo muito a diferença de tratamento a cada dia.