sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Desabafo II

Minha mãe me mandou um DVD de aniversário. Com o sobrenome escrito errado pelos profissionais audiovisuais de Cudomundópolis, no meio tocaram duas canções sertanejas, ao que coloquei o PC na opção “mudo”. Não é sobre a incompetência que quero escrever.
É um DVD de 50 minutos de fotos que eu muito achei que não ia conseguir ver tudo de uma vez. Mas o carinho com que minha mãe preparou esse presente é algo que, sérião, me transborda de amor. Tem fotos que eu não sei como ela conseguiu. Fotos das antiguíssimas e fotos da minha vida aqui.
A presença dos meus pais em todos os momentos da minha infância e adolescência e ainda hoje, mesmo que fisicamente afastados, faz com que hoje eu valorize o que provavelmente nunca valorizei tanto assim. Como pode ser que eu tenha nascido e desde então duas pessoas dedicaram a vida toda a mim? E vão continuar dedicando tipo até o fim das suas vidas – ou da minha. Pensar nisso faz todos os outros tipos de amor parecerem ínfimos. Sabe-se, é claro, que na real não é bem assim.
Sem querer ter uma visão pessimista de tudo isso, é duro pensar na sina desses pais. Eles dedicam a vida a você. Absolutamente tudo gira em torno dos filhos.Você cresce e sai de casa. Eu, por exemplo, escolhi um lugar bem longe. Neste momento da vida, deixei de me reconhecer pertencente à minha cidade, à cidade onde moram esses pais que fizeram tudo por mim. E aí, de uma hora pra outra, eles passam a ver a pessoa mais importante da vida deles (estou falando de mim porque estou escrevendo de mim, mas aqui vale pra minha irmã) duas vezes por ano. E bancando tudo isso! E aí esse filho se apaixona uma, duas ou várias vezes e todos os esforços dele são dispensados para esta nova pessoa que te conhece há tão pouco tempo e que, oi, nunca vai te amar um milésimo do que os pais amam. Essa pessoa te trai, te engana, mente, te fere, te magoa – ainda que te ame. Agora quero ir pro exterior o mais breve possível e enquanto vivo mil experiências, meus pais passarão a me ver com metade da frequência com que me viam. Esse é o ciclo natural da vida, eu sei. Mas podia ser menos injusto. Me sinto ingrato muitas vezes.

Desabafo I

Caros milhares de leitores, este e o próximo posts não são engraçados. Escrevi em dias diferentes no word e como não tenho postado há eras, resolvi fazê-lo.

Desde muito cedo tive a pira de colocar todos os meus pensamentos em papel. Quando criança o computador já tinha tido seu advento, mas ainda não era comum tê-lo em casa e, assim, eu escrevia páginas e páginas à mão. Desde pequetito, um diário. Depois foi um caderno (porque diário era muito feminino) onde escrevia toda a sorte de coisas aleatórias. Depois um fotolog com ridicularidades que eu chamava “poesias”. Atualmente um blog com intenções de humor sobre uma vida banal. Nunca dou sequencia nesses resumos inusitados de pensamentos. Certo dia acordo com uma vontadezinha de escrever e à noite já é uma puta vontade e escrevo. Aí passa. Acho que no dia seguinte vou querer voltar a escrever, mas nem volto. Sou a pessoa de vinte anos com maior número de ficções escritas inspiradas em mim mesmo inacabadas. Aliás, a única pessoa de vinte anos que conheço que quer escrever uma ficção. Aliás, a única pessoa que conheço que quer escrever um livro.
Hoje falei com meu pai e ele está chateado com minha irmã porque não-sei-quem a viu toda bêbada numa praça com os amigos de manhã. Puta merda: descalça e com uma garrafa de vinho barato na mão! Eu to puto também! Com o filho-da-puta que, não olhando pra própria vida/família, tem tempo/coragem de ver uma universitária de férias extravasando e ir correndo NO DIA SEGUINTE na loja do meu pai fazer mexerico. A minha raiva gira muito em torno do fato de que às vezes, mas muitooooo de vez em quando, eu penso que to dando murro em ponta de faca morando numa cidade enorme, muito longe de toda a minha família, num curso superior que não é lá essas coisas, apaixonado por hotelaria, que é uma empresa escravocrata. Pensando nisso, penso que lá minha vida já ta ganha e que não precisava de todo esse processo. Mas esse tipo de coisa me faz muito voltar à realidade e pensar: quem é que numa cidade grande ia topar com a filha-do-fulano bêbada? Pode acontecer, CLARO! Mas em que cidade, em que as pessoas tem o mínimo de coisa pra fazer, alguém ia ter tempo de ir ao trabalho do pai da menina-bêbada contar pra ele a tal cena horrenda que presenciou? A menos que fossem bons amigos, tudo bem. Mas não. O tal cara mexeriqueiro (que não é mais nem menos mexeriqueiro do que qualquer um dos outros poucos habitantes da cidade) não é amigo do meu pai. Ele conhece meu pai. Só conhece. Conhece. Só que todo mundo na cidade conhece meu pai. Eu já passei por situação similar/pior que essa da minha irmã. Mas nem quero divagar sobre isso agora. Aliás, ou meu pai não me fala mais as coisas, ou teve muita sorte de não ter tido muito mais notícias minhas das últimas vezes em que fui pra lá. Ou eu já sou notícia velha. Porque das últimas vezes em que estive lá, beijei meu namorado em público em todos os lugares da cidade. Eu, menino. Meu namorado, menino também. Beijando.
Os devaneios sobre voltar, na verdade estão mais relacionados a querer sair de Curitiba. Estar enjoado de Curitiba está mais relacionado ao fato de eu estar sempre sozinho. Sozinho em relação a homem mesmo, não amigos ou, enfim, pessoas. Estou de férias da faculdade e, com tempo ocioso à noite, piro que queria namorar. Quando as aulas voltarem e eu não tiver mais tempo pra respirar de novo, voltarei a pirar que namorar não dá. O problema não é bem namorar ou não namorar, mas nunca estar com ninguém. Sabe como? Tipo sem uma expectativa, sem um pretendente, sem alguém em vista, sem um frio na barriga, sem um lance, sem um pegs, sem um pinto amigo. O que me faz pensar que eu não sei o que as pessoas fazem que eu não faço pra conhecer alguém (ns). Eu saio. Pego balada. Estou na faculdade. Conheço N pessoas. Até mesmo estou num site de relacionamento. E aí? E aí nada.
Esse devaneio me faz pensar que talvez eu ache que estou aberto a conhecer pessoas, mas que na verdade eu não estou. E por que não? Porque me apego fácil e não desapego nunca. E, olha, é sério. Se meu primeiro namorado aparecesse na minha frente hoje e falasse “volta comigo”, olha lá que eu voltaria. A gente terminou há quase três anos. Dia desses meio bêbado falei com ele no MSN coisas fofas. Ele saiu sem responder. Por quê? Porque ele é uma pessoa normal, ou seja, supera o fim de um namoro em menos de três anos. Se meu segundo namorado falasse a mesma coisa, eu MUITO voltaria com ele. Ele já está namorando de novo. Por quê? Porque ele é uma pessoa normal e consegue superar em seis meses o fim de um namoro que durou sete. Talvez este relato sirva pro meu futuro terapeuta, quando eu criar vergonha na cara e ir procurar um.