Minha mãe me mandou um DVD de aniversário. Com o sobrenome escrito errado pelos profissionais audiovisuais de Cudomundópolis, no meio tocaram duas canções sertanejas, ao que coloquei o PC na opção “mudo”. Não é sobre a incompetência que quero escrever.
É um DVD de 50 minutos de fotos que eu muito achei que não ia conseguir ver tudo de uma vez. Mas o carinho com que minha mãe preparou esse presente é algo que, sérião, me transborda de amor. Tem fotos que eu não sei como ela conseguiu. Fotos das antiguíssimas e fotos da minha vida aqui.
A presença dos meus pais em todos os momentos da minha infância e adolescência e ainda hoje, mesmo que fisicamente afastados, faz com que hoje eu valorize o que provavelmente nunca valorizei tanto assim. Como pode ser que eu tenha nascido e desde então duas pessoas dedicaram a vida toda a mim? E vão continuar dedicando tipo até o fim das suas vidas – ou da minha. Pensar nisso faz todos os outros tipos de amor parecerem ínfimos. Sabe-se, é claro, que na real não é bem assim.
Sem querer ter uma visão pessimista de tudo isso, é duro pensar na sina desses pais. Eles dedicam a vida a você. Absolutamente tudo gira em torno dos filhos.Você cresce e sai de casa. Eu, por exemplo, escolhi um lugar bem longe. Neste momento da vida, deixei de me reconhecer pertencente à minha cidade, à cidade onde moram esses pais que fizeram tudo por mim. E aí, de uma hora pra outra, eles passam a ver a pessoa mais importante da vida deles (estou falando de mim porque estou escrevendo de mim, mas aqui vale pra minha irmã) duas vezes por ano. E bancando tudo isso! E aí esse filho se apaixona uma, duas ou várias vezes e todos os esforços dele são dispensados para esta nova pessoa que te conhece há tão pouco tempo e que, oi, nunca vai te amar um milésimo do que os pais amam. Essa pessoa te trai, te engana, mente, te fere, te magoa – ainda que te ame. Agora quero ir pro exterior o mais breve possível e enquanto vivo mil experiências, meus pais passarão a me ver com metade da frequência com que me viam. Esse é o ciclo natural da vida, eu sei. Mas podia ser menos injusto. Me sinto ingrato muitas vezes.
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