sexta-feira, 23 de setembro de 2011

De volta pra casa

Bom, e ai que os cinco ou seis dias que me restaram em Lyon passaram voando e nada de tao emocionante aconteceu, exceto mais uma despedida no Crazy (regado a tequila, benzina e dark room), comi rã à francesa e fui comido também por um negro à francesa. Matei dois coelhos com uma caixa d’agua so: negro e francês. Mas ain, sério, conto isso pessoalmente depois. Sei que nao vou esquecer dessas coisas também, entao elas nao precisam estar escritas. Pregui. A estada em Paris também foi sem grandes emoçoes. Exceto por ter chegado no 11 de setembro, sem me tocar, e depois ter pego metrô chapado com minha host, enquando ela me contava que os parisienses evitam o metrô nessa data. Bad de novo nos metrôs europeus. Fora isso, foram passeios tranquilos, a host parisiense mais querida do mundo, nostalgia, homens lindos por todos os lados…
O que to com vontade de contar é que me despedi da França com um pôr-do-sol maravilhoso pela janela do avião. Agora to no aeroporto de Madrid, esperando o voo pra Sao Paulo. Ao pesar minhas duas malas despachadas (ainda em Paris), soube que tenho 38 quilos de bagagem. O limite de Sao Paulo pra Goiânia é 23kg. Joia. Culpa minha de ser burro demais, mas agora so vou pensar nisso daqui a umas 12h. Ja estou bem feliz de ter passado sem nenhum problema pela imigraçao com 11 dias de visto vencido. Bom, isso ainda nao era o que eu queria contar. Estar aqui na sala de espera, pela primeira vez em meses cercado de dezenas de brasileiros desconhecidos, me da uma descrença. Nao é por nada. Mas, pô, TODOS os homens de tênis, calça jeans e camiseta. Ai, saquinho viu. Ups ! E nao é que ao terminar de escrever isso, vejo uma exceção à regra !! Nao é que to vendo um rapaz de camisa listrada e…. calça tochada, chapeu branco de vaqueiro e cinto de fivela de bandeja ?!?! Em Madridi ! Vou ali trocar ideia com ele, numa dessas pego uma carona de trator até Goias !

Marseille

Chegamos a Marseille e, de cara, fui percebendo o que ja tinham me dito : parece uma cidade grande do Brasil. E meio suja e poluida de maneira geral, mais trânsito e barulho, mais gente na rua, menos organizaçao. Pegar trânsito me fez me sentir um pouco em Curitiba (nao que eu tenha carro, mas né, a gente sempre sabe como é). Chegamos na casa do amigo, um cara super figura, muito caricato, engraçadissimo. Recomeçamos a seçao haxixe e cervejinha. Geremie, o amigo, foi passar a noite na casa da namo. Kevin e eu assistimos um filme, fumamos mais, bebemos mais, comemos iguais a dois porcos, apagamos a luz e nos deitamos, de novo sobre a mesma coisa.
Me passando o baseado no escuro, ele me pergunta : « Quer que eu te chupe ». Gente, hesitei por alguns instantes, viu. Devia so ter so colocado pra fora e pronto. Mas nao o fiz, por alguns motivos, nessa ordem de importância: 1, até o dia anterior ele era o amor da minha vida dos meus 5 meses na França e agora ele era um broder hétero que queria me chupar; 2, tinhamos bebido e fumado pacas, tive medo de brochar; 3, eu prefiro muito mais chupar, nao estava achando muito justo que eu nao pudesse fazer nada. Bom, segue dialogo como me lembro. Entre uma fala e outra sempre uma hesitaçao, um trago do baseado e passada do mesmo pro outro:
Eu: “Nao”
Kevin: “Por quê ? »
Eu : « Tem que rolar um momento pra isso »
Kevin : « Eu imaginei. é meio bizarra essa minha vontade né ? »
Eu : « Um pouco… Mas nao to te julgando, hein ?! »
Kevin : « Espero »
Eu : « é so que vai ser um pouco dificil você conseguir isso, seja de alguém gay ou hétero »
Kevin : « é… »
Bom, fui dormir me torturando pensando se devia ou nao ter deixado ele me chupar. Me senti um pouco egoista, pois podia ter satisfeito a tara do pia com alguém que ele conhecia e confiava o minimo que fosse. Mas agora nao adianta lamentar, porque dormimos e, infelizmente, nao falamos mais disso.
No outro dia, aquela lerdeza pra se agilizar, como é comum quando se viaja em um numero de pessoas superior a 1. Lavamos a louça, ajeitamos a sala. Bolamos um bec, abrimos uma cerveja. Me ensinaram a jogar pôquer. Adorei e no inicio até que mandei bem. Depois fomos ao mercado, fomos à casa de um casal de broders dele, fizemos rango, comemos e saimos pra ver Marseille. Ele, socialista e ideologista que é, me levou numa regiao do centro onde realmente você nao faz mais ideia de que esta na França. Eu achava o centro de Lyon bastante arabe, mas nao tem nada a ver com o de Marseille. Enfim, conheci outra França.
Voltamos pra casa do casal de brodas dele porque eles ainda fariam uma pequena correria pra pegar xit. Bom, fumamos um enquanto esperavamos a hora e começou a me bater aquela velha (e ja chata) insegurança por nao ter onde ficar – afinal Kevin retornaria aquela noite pra casa dos seus pais e o Geremie nao me hospedaria sozinho. E esse cara gente boa, do casal, tambem nao podia porque era o dia em que ele ficaria com a namorada, sem os pais em casa. Franceses. Fui pro computador, nada de couchsurfing. Nem os hostels que eu tinha visto pelo preço abusivo de quase 30 euros estavam mais disponiveis. Hotel mais barato a partir de 130 euros. é nessas horas que nos vêm aquelas duas palavrinhas à mente : me fodi.
(escrevendo do aeroporto de Paris Orly, prestes a embarcar com destino final Mineiros, depois de dias e de todos os meios de transporte existentes) Entao, voltamos à casa do nosso até entao anfitrião, este estava com a namo e um broda. Este broda morava numa residência universitaria (tipo uma CEU) e, segundo ele, nao me cabia no seu quarto mas que, se eu nao tivesse outra opçao, tinha um terraço na residência. Bom, Marseille nao pode ser considerada a cidade mais segura da França e a estaçao de trem, soube, fechava entre 1h e 5h, entao o terraço da residência realmente me pareceu um oasis. Geremie, que gentil, me emprestou uma espécie de emborrachado (ja que o terraço era de pedrinhas, sacam ?) e um saco de dormir e la fui eu, mochilinha e acessorios, dormir ao relento. Assim que me deitei me sentindo sortudo de ter aquele canto sem-teto, ao mesmo tempo tinha medo de, sei la, a tia da limpeza chegar, chamar um segurança e eu ser deportado. Afinal, meu visto tinha expirado no dia anterior. Quando abandonei esses pensamentos, me disse uma coisa : so nao pode chover. E adivinhem ! Uma pequena garoa começou. Mas logo parou, nao passou de uma pequena garoa. Dormi gostoso e so acordei às 7h, com CHUVA. Escapei do terraço, tendo sorte de ninguem ter fechado a portinha de acesso, achei um banheiro , entrei numa cabine e ali dormi mais umas duas horas. Depois disso, minha gente, fui direto pra estaçao de trem e adiantei meu bilhete de volta pra logo mais à tarde. Ai fiz um pequeno passeio pelo belo e fedido porto da cidade e voltei pra Leão. E adiei minha ida pra Paris em um dia porque, apesar de todo esse perrengue, eu estava realmente sem grana.

Toulon

6,20 a passagem, depois de um pequeno perrengue pra encontrar o ônibus, chego a Toulon às 21h15 e Kevin vem me buscar de carro. Quando entrei no carro, nao podia acreditar que estava vendo ele de novo. Ele tinha raspado a cabeça, nao ficou bom, mas ele continuava sendo meu amorzinho. Me surpreendi um pouco pelo fato de ele nao dar pinta nenhuma, mas né, francês, a gente nunca sabe. Chegamos na casa do amigo dele, que, esse sim, era bem gay, fomos logo tomando uma cervejinha e fumando unzinho. Depois chegaram quatro amigos deles e bebemos e fumamos e eles fizeram musica e foi bem legal. Hora de dormir, Kevin e eu na mesma cama, sozinhos no quarto. Deve-se ficar entendido aqui que estava claro pra ele que eu era MUITO a fim dele, haja vista as mensagens que tinha trocado com ele depois de termos nos conhecido (sem falar do fato de eu ter pesquisado e descoberto seu numero e seu facebook, porque nao tinhamos tido oportunidade de troca-los). Deitamos, acho que houve um momento de tensao, e ele disse « bonne nuit », ao que respondi e dormimos - -‘
No outro dia, fizemos um tour por Toulon, que nao é tipo a cidade mais especial do litoral, definitivamente. Pelo menos o Max, o host, fez um comentario que o confirmava gay, o que me fez voltar a « saber » que o Kevin também o era. Fomos a uma praia, onde so nos sentamos por um instante. Nesta, fiquei impressionado com o azul do mar. Depois fomos a uma outra, sem nada de turista, numas rochas, onde o que impressionou foi a transparência da agua. Nadamos, a agua tinha uma temperatura ideal, tava muito calor, foi uma delicia. Kevin decidiu ir a Marseille comigo naquela noite e tinha um amigo que nos abrigaria, entao mandei uma mensagem de texto e uma resposta no CS pro cara que seria meu host – aquele mesmo, sem referências, que postei logo antes.
No caminho pra Marseille, ele faz um comentario sobre uma mulher gostosa. Papo vai, papo vem, falamos sobre namoro e essas coisas e surpresa : ele é hétero. Fingi naturalidade ao receber aquela noticia bombastica e, em seguida, um porém bombastico : « eu nao sinto atraçao nenhuma por homem, nem vontade de beijar, transar, ser chupado. Mas tenho uma pira : chupar um cara ». Tipo, ele falou tudo tao naturalmente que nao passou pela minha cabeça nem por um instante, e nao passa ainda agora, que ele possa ser enrustido. Realmente acredito que ele seja hétero. Entao, vivendo e aprendendo, taih algo que eu ainda nao sabia que existia : um hétero com pira soh de chupar um pau. Attention, les filles !

Aix-en-Provence

Chegamos às 17h a Aix-en-Provence, ponto final da carona, a uns 15km de Marseille. Sem saber aonde ir ou o que fazer, mais uma vez sem ter onde dormir, liguei meu pc no wifi do café em frente, onde a coca custava 3 euros. Pela internet pagay. Sabia que tinham coisinhas pra se ver em Aix, mas sabe quando você ta sem saco ? Tipo, você nem tem onde dormir, nao ta mais a fim de sair em busca de igrejas ou ruas tao parecidas com as de qualquer cidade da França.
Pesquisa que pesquisa couchsurfing, hostel, hotel, horarios em que fecham as estaçoes, tudo isso entre Aix e Marseille, acho nada, falo com pessoas, me desespero, me acalmo, fico entediado de nao achar nada e de ver o dia terminar, alguém me chama no chat do facebook. Kevin. Meu primeiro amor da França. Aquele do festival Queyras Libre, nos Alpes. Que eu nao peguei e sempre me martirizei por isso. Que eu sempre quis encontrar de novo e nunca rolou e nunca rolaria. Conto a ele minha situaçao e ele, faz que faz ligaçoes, acha um couch pra mim em Toulon, a uns 80km dali. E mais do que isso : estando ele em férias na casa dos pais, iria pegar o carro e nos encontrar em Toulon naquela noite mesmo *.*

Barcelona (II)

Cheguei a Barcelona à 1h, sem rumo. Andei, parei, fumei um cigarrinho. 1h15. Quer dizer, nao rola ficar perambulando por ai até amanhecer pra ir dormir num parque ou coisa assim. Fiquei sabendo que a estaçao de Barça fechava durante a noite, o que acabou com meu plano B. Fui pro hostel onde estive até entao. Nao havia a menor possibilidade de eu me hospedar la, porque sem reserva pela internet a diaria seria mais de 20 euros e eu, definitivamente, nao estava disposto a pagar isso. Como eu ja conhecia o hostel, entrei e fui pro primeiro andar usar o wifi, ja que a recepçao ficava no segundo. Falei cazamiga um pouco, escrevi parte desse post, até quase 3h. A bateria do computador acabou, o cabo (eu pensei) estava na minha mochila que estava no guarda-volume do hostel e para chegar la eu teria que passar pela recepçao. Entao desisti de ficar no computador até amanhecer também. Peguei o elevador, pra nao passar pela recepçao, e fui pro terceiro andar, tomei um longo e bom banho, voltei pro primeiro andar disposto a dar uma cochilada no sofa, mas desisti por dois motivos: 1, nao vou descreve-lo, mas era impossivel dormir no sofa, entao eu teria que dormir no chao, o que nao me incomodaria, mas 2, poderia chamar atençao e algum funcionario saber que tinha um intruso ali e eu ainda precisaria daquele hostel pras proximas noites provavelmente.
Eu estar descrevendo tudo tao minuciosamente tem um motivo, que se explica nesse paragrafo. Quando saia do hostel , quase às 3h30, novamente sem destino, segurei a porta da saida pra alguém que estava saindo. « Thank you », « You’re welcome », e fui me sentar num banquinho em frente pra fazer um cigarrinho. Quando começo a fumar, chega a pessoa pra quem segurei a porta : « May I join ? » Quando o vi, meus olhos brilharam enquanto balbuciei: “Sure”. Era Andreas Gusak (vide facebook). Um gatinho russo-alemao. Começamos falando sobre as coisas de sempre, de onde você é, o que você faz, retissências. Mas depois falamos de tudo : de existência, de Deus, da Igreja, de religões, de sexualidade, de historias, de experiências, de etc. Ele me disse que ja se perguntou se nao era gay, ja que nao é como os amigos que saem fodendo por aih, mas nao sentia atraçao por homem, mas que tampouco descartava a possibilidade de uma experiência homossexual. Mas, calme, infelizmente nao tinha possibilidade de acontecer algo entre nos. Ele me dizia as coisas mais porque a gente tava falando tudo ja como velhos brodas. Alias, quando eu falei que era gay (no momento em que ele me perguntou o que eu achava das mulheres europeias), ele disse que nao diria que eu era gay. Engraçado isso : no Brasil nao tem quem nao perceba em um instante que eu sou gay e na gringa todo mundo se surpreende, o que pode ser explicado por uma das seguintes coisas : 1, aqui ninguém da a minima se você chupa pinto ou buça, entao ninguém sequer especula ; 2, você nao parece gay por nao estar causando em sua lingua materna ; ou 3, as duas coisas.
Entao foi isso, ficamos la simplesmente conversando e fumando até as 5h30. Trocamos facebook, nos despedimos e fui pra estaçao lindo, feliz e saltitante, agora agredecido por ter tido a oportunidade de estar num perrengue daqueles pra conhecer alguém como o Andreas. Pode parecer carência, e talvez seja mesmo, mas fiquei um bom tempo refletindo sobre essa coisa de se conhecerem pessoas. Na minha cabeça, carente ou romântica ou divagante, encontros como esses nao podem ser mera coincidência, manjam ? Se a bateria do meu computador nao tivesse acabado, se eu tivesse visto que o carregador estava sim dentro da minha mochilinha, se, entre outras mil coisas, eu nao tivesse saido do hostel naquele exato minuto e segurado a porta pra ele, a gente nao teria se conhecido e talvez eu tivesse passado aquelas horas sozinho.
Com esses pensamentos em mente fui pra estaçao, dormi por quase duas horas, até ser acordado por um guardinha infame que veio me dizer que nao se pode dormir nas cadeiras da sala de espera. Gente, como assim. Altas pessoas dormindo pelo chao, as cadeiras da sala de espera quase todas vazias e você nao pode ocupar duas teoricamente esperando seu trem ?
Desisti de dormir ali, ja que o movimento e o barulho se intensificavam e fui, com um zumbi, pra um parque que eu ja tinha mesmo que conhecer pensando num belo gramado pra esticar minha canga. Cheguei no parque depois de metrô, caminhada, escadas rolantes, escadas normais e rampas e surpresa : nao tinha gramado. Apesar de ser lindo, tudo o que eu precisava era dormir, entao me estiquei num banco ali e dormi tranquilo umas duas horas, quando uma familia espanhola barulhentissima se instalou por ali. Conheci um parque como zumbi e fui pro hostel onde, definitivamente, eu reservaria minhas proximas e ultimas duas noites para dormir, mesmo porque eram as duas noites mais baratas (uma delas era 8,90, risos).
Bom, fiz meu almoço no hostel, conheci duas portuguesas que estavam viajando ha um mês e que tinham conseguido a façanha de gastar 20 euros por dia com hostel. Tipo, mesmo perrengueando do jeito que eu estava fazendo, eu acho que no fim daria mais do que isso em média. Bom, fiz check in e dormi a tarde toda. Quando acordei, lembrei que tinha guardado a ponta do bec do finlandês quando fumamos. Tava na sacada, embaixo duma parada, sujo, sujo. Mas né, fumei. Primeiro me veio uma paranoia de de ter cocô de barata e eu pegar uma grave infecção. Abandonei esses pensamentos e fui dar uma volta. Que delicia dar uma volta chapado sozinho numa cidade nova! Até entrar no metrô... Eu tinha planos de achar um monumento que até entao nao tinha visto, mas o negocio é que dentro do metrô rolava uma gravaçao sobre tomar cuidado com os pertences pois pick-pockets atuavam na area. Como a mensagem era em inglês, catalão e espanhol, e eu estava chapado, eu nao conseguia entender se era uma mensagem corriqueira de alerta ou se estava rolando uma treta naquela linha, naquele trem ou mesmo naquele vagão. Comecei a ter a impressao de que as pessoas estavam tensas ao segurar e tomar conta de seus pertences. E a mensagem era intercalada com uma musiquinha fofa, o que era bastante amedrontador. E a cada chegada e saida de estaçao, a mensagem e a musiquinha se repetiam, credo! Desci rapidamente na minha estaçao e ao tomar ar livre, sao e salvo, vi que estava outra vez em La Rambla, onde eu sempre acabava parando. Mais tarde sai por umas ruas com varios endereços do babado, me prometendo que entraria em algum lugar. Mas ah, francamente, ferver sozinho numa cidade diferente nao é pra mim. Alias, ferver sozinho nao é pra mim. Nao consigo me sentir bem entrando num bar ou numa balada sozinho. Eu sei que se acaba conhecendo pessoas, mas né : talvez nao e você ficou la a noite toda dançando e bebendo sozinho, se sentindo looser. Mas como tinha me prometido, entrei (no bar que notei com menos gente hehe), tomei a cervejinha local de sempre a 4 euros (na qual eu ja tinha pagado uma vez 1,60, no bar do Gul) e logo sai porque, repito, pra mim nao tem graça.
No outro dia fui fazer o free tour como de costume. Conheci uma argentina que mora em Dublin e, depois do tour, passamos o dia juntos, indo ao castelo, depois pelo centro e terminando num jantar de graça oferecido por um bar a partir de “vale-jantares” que peguei no hostel. Dica das portuguesas, claro. O jantar na real era uma merreca, mas enfim, de graça. No outro dia, de manha, fiz check out e fui pra uma estaçao pegar um trem pra onde iria encontrar a guria com quem pegaria carona. Claro que calculei tudo com minha noçao brasileira de tempo. Ainda por cima me enganei, entrei no lugar errado, enfim, uma zica, cheguei 40min atrasado, mas ela felizmente me esperou. Era a motorista, Cecile, uma francesa bem gente boa e Sara, outra francesa, toda amor, meio hiponga, que ja tinha morado em Joao Pessoa e, logo, falava português e, logo, ja entendeu o porquê do meu atraso quando soube que eu era brasileiro (ou, como ela me perguntou : « Você ta brasileiro ? » (risos)).

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sitges

Entao cheguei a Sitges e fui logo vendo que realmente era cidade com mais turistas bis por metro quadrado que eu ja tinha visto até entao. A cidade é bonita, praieira e tals, mas até entao nada muito diferente do comum. Passei por uma praia, por outra, sempre pensando que quando viesse um feeling eu pararia pra dar meu primeiro mergulho no Mediterrâneo. Foi então na terceira praia que, de cima, vi varias bundas e êpa : nudismo ! Fiquei meio assim se poderia ir à praia de roupa, mas dando uma boa observada, vi que podia sim. E fui. Me instalei em um lugar qualquer, fiquei de sunga e me pus a observar, discretamente, todos os pênis que desfilavam pela orla. Calma, gente, nem tudo são flores, alias, quase nada o são. Embora tenha sido minha primeira praia nudista, o boato é que é meio geral que quem frequenta sao geralmente… idosos… idosos obesos. E em Sitges nao seria diferente, nao fosse pelo fato de 90% serem homens e desses 99% bis. Era realmente muito engraçado e descontraido a forma como tudo é tao natural. Eu curti, acho que toda praia devia ser nudista facultativa. Pensando nessa experiência, tirei a sunga, fui pro mar, nadei freedom style, voltei, tomei sol na bunda e, depois de um tempo, voltei a colocar a sunga. Eu nunca lamentei tanto nao estar depilado. Nao que alguém la estivesse se importando muito, mas gente, é serio : desde que vim pra França nunca sequer CORTEI os pêlos do saco. Vergoinha, eu sei.
Bom, o massa é que tinham algumas familias na praia. Tipo, dois tios peladões passando abraçados e criançada fazendo castelinho de areia. Achei muito futuro. Além disso, elegi o Casal Pinto (francês por sinal, fiquei salivando por eles) e o Mr Pau, um tiozao magrelo bem feio que tinha uma sucuri que pendia. Ah, também vi um micro-pinto. Sério, não queiram ver. E se tem uma coisa mais feia que velho pelado, tenha certeza, minha gente, essa coisa é velha pelada. Outro ponto importante a se destacar é que os homens aqui realmente têm mais cuidado com os pêlos pubianos (talvez por serem bis) que as senhôuras. Vi cada macaca.
Passei o dia todo na praia, fiz meu lanchinho farofeiro com uma bela vista noturna da praia e da cidade e tornei a dar uma volta pelo centrinho. Vi uma lan house (ai, serio, nao existe um outro nome pra isso em português?) e parei porque, como nem tudo sao flores, eu ate entao nao tinha onde dormir e ja eram 22h. E, voilà, tinha uma resposta de um host do couchsurfing dizia que eu podia ficar na casa dele, mas que esta ficava um pouco fora de Barcelona. Perfeito, de qualquer forma – embora o cara parecesse BEM estranho. Até algumas referências positivas do site diziam que ele era estranho, mas gente boa. Enfim. Fui pra estaçao de Sitges e surpresa : o ultimo trem ja tinha passado. Fui esperar o onibus e surpresa : o proximo era so à 00h15, o que significa que eu tinha perdido a possibilidade de pegar o trem pra casa onde eu dormiria.

Barcelona (I)

O trem de Montpellier (Frebça) pra Figueras (Espanha) atrasou, o que fez com que todos perdessem o trem de Figueras pra Barcelona. A empresa espanhola de trem providenciou onibus para o transfer e, foi quando sai da estaçao e vi a confusão, que soube que estava outra vez num pais latino. Bom, cheguei a Barcelona com duas horas de atraso, sai sem rumo ali pelo lugar, olhando o mapa, dando uma explorada na regiao e pensando no que fazer, ja que eu nao tinha onde ficar. Achei um café com wifi, entrei e a cerveja custava 1,60. Foi ai que comecei a amar Barcelona. Bom, como nao tive nenhuma resposta nem de couchsurfinf nem dos outros (poucos) contatos na cidade, reservei uma noite num hostel que estava a cerca de 12 euros. Comecei a conversar com o Gul, o funcionario do bar, muito simpatico e gentil, um paquistanês com sotaque de espanhol falando ingles com um brasileiro, que mora na França, que, por isso, desaprende inglês dia-a-dia. Bom, nao posso dizer que era 100%, mas o Gul era realmente muito gente boa, fumamos um cigarrinho juntos e fiquei com vontade de voltar la pra vê-lo de novo, mas no fim nem rolou. Andei que andei e cheguei no hostel, onde so se escutava francês entre os hospedes , o que me fez pensar : vais er dificil fazer amizade aqui. Comi meu lanchinho de supermercado, dormi e no outro dia, no café da manhã, conheci um indonesiano, com quem passei o dia, por la Rambla, o porto e a praia de Barceloneta. Ele era bem gente boa, embora tocasse demais. Ja abri o jogo que à noite ia a algum lugar gay e ele quis me acompanhar. Chegamos a uma regiao com varios bares e baladas babadeiros e ele quis porque quis entrar no Bacon Bear Bar. Foi engraçado nao por ter acontecido alguma coisa, mas simplesmente pelo fato de todos os caras serem do tipo Bear. Bom, eu também nao estava tao descontextualizado assim. Depois fomos a um outro bar e depois voltamos pro hostel. Ou melhor, passamos batido pela nossa rua e conseguimos a façanha de andar DEZESSEIS quadras a mais. E, voltando-as, significa que andamos 32 quadras a mais o que me deu vontade de me matar, nao sem antes matar o Marcos. E durante todo o caminho de volta ele falava coisas sem noçao, sendo que tudo o que eu queria era ficar calado. E ainda dava palpites errados sobre o trajeto, sendo que eu ja tinha explicado pra ele N vezes que era so andar reto todas as quadras de volta que chegariamos a nossa rua. Enfim, mal conseguia olhar pra cara dele quando chegamos no hostel, pés latejando, 4h da manhã. Dei tchau pra ele na certeza de que nao o encontraria de novo, porque eu nao iria pro café da manhã e à tarde ele ja sairia do hostel. Dormi até umas 14h, nao indo pra Sitges, como tinha previsto.
Fiz um macarrao no hostel e, quando voltei pro quarto, meus 3 roommates delicinhas (dois ingleses e um finlandês) estavam la, devidamente descamisados. Fumei um com o finlandês que, jesus, me deixou loucaço. E… cansado. Dormi mais um pouco. A noitinha, fui dar umas voltas pelo centro, voltei la por meia-noite, deitei e dormi. Segunda de manhã peguei um trem pra Sitges.