Ontem finalmente teve uma crew party DO CARALHO. Finalmente um DJ que sabe das coisas e eu quase me senti no VU. Mijogay, fikei benlocko, como se não houvesse trabalho no dia seguinte às 6h. No mais, findinoite, estava eu no fumodromo com um italiano gracinha, da animação infantil. Trocamos poucas palavras no decorrer dessa minha vida a bordo, mas bêbado que estava, achei suficiente pra convida-lo pra dormir comigo, afinal era San Valentine's e o Bruno esteve ausente, como de costume (saiu cedo da festa). Ele topou no ato, disfarçamos e ele "dormiu" aqui. Entre aspas porque devia ser umas 3h da matina quando viemos e às 5h55 acordei, sozinho. Talvez o calor pra dormir de dois nessa cama nessa cabine, cujo ar condicionado funciona mal. Hoje nos encontramos no exercicio de emergência e perguntei se fora o meu ronco, ele disse que não. My trauma. Mas também não disse porquê. Tudo bem, o que importa é que dei uns beijinhos e adormeci acompanhado, abraçadinho. Bruno esta de vir aqui hoje, vamos ver né. Resolvi que vou ser vadia mesmo, se tiver oportunidade de sê-lo. A diferença a bordo é que vai ter de ser sempre mocado. O que é até mais gostoso =)
24/02/2012 - Buenos Aires
Então que vivi minha primeira paixão (passageira) com um passageiro. Tive meu proprio Alejandro argentino. Quem disse que dessa terra de chatos também não sai gente interessante?! Não vou me lembrar exatamente a ordem das coisas na nossa semana de amor, mas vou tentar...
Conheci-o na recepção, obvio, no dia em que embarcou, com a mãe e o amigo, e trocamos olhares descarados, o que ja me deu certeza de algo. No outro dia, veio à recepção fazer uma ou duas preguntitas idiotas, como o fazem seus compatriotas. A diferença é que ele o fez de proposito. Naquela noite mesmo o procurei na Festa Branca, não o encontrei. Subi para a buatchy, o encontrei. Fomos fumar do lado de fora, conversamos, mas logo eram 2h, horario limite pra nos staff circularmos em area de passageiro. Antes de ir, claro, o intimei para subir umas escadinhas ali, que davam pra um lugar meio deserto àquela hora e nos pegamos gostoso (e rapidamente). Um passageiro nos viu. Mas foda-se, eu negaria até a morte se desse merda. Na outra noite nos vimos de novo e ele veio dormir na minha cabine. Explico: não ha nada mais perigoso do que trazer passageiro pra cabine. Maaannnsss felizmente minha cabine fica a menos de 10m da area de passageiros, separada da nossa area por uma porta.
No outro dia, nos encontramos em Porto Belo, demos uns beijinhos, no mar. Na noite seguinte nos encontramos no wine bar de sempre, tomamos algo, conversamos e dormimos juntos de novo. Na noite do Rio, carnaval**, fomos pra Lapa, depois pra Ipanema, no Posto 9, que é do babado, onde rimos muitoooo juntos louquinhos de doce e ainda louquinhos demos uns pegas na praia e voltamos pra dar uns pegas na minha cabine. Dois dias de navegação, nos encontramos nas duas noites no "nosso bar", dormimos juntos na ultima (na anterior não porque tinha crew party) e combinamos de dar um rolê em Buenos Aires, onde ele desembarcaria pela manhã. Mannnss eu não pude sair do navio porque estava de Port Manning*, ou seja, sequer me despedi dele porque quando ele saiu da minha cabine de manhã, achavamos que em duas horas estariamos nos encontrando no porto. Pensando nisso, na carinha dele me esperando e no fato de não ter influência alguma no navio, estando impotente, sem poder sair do navio, chorei pela primeira vez desde que cheguei. Na mesma noite comprei um cartão telefônico daqui, também pela primeira vez e liguei pra ele e ele também deu uma choradinha enquanto falavamos. Felizmente vou conseguir trocar meu Port Manning no proximo (e infelizmente ultimo) Buenos Aires e vou pedir um horario bom pra poder passar a tarde com ele.
*Port Manning: cada uma das cinco cidades em que paramos nesse itinerario tem uma letra. E cada tripulante tem uma dessas cinco letras. No porto que tem a sua letra, você nao pode descer. é uma questão (fajuta) de segurança porque em caso de emergência, é necessario um numero minimo de tripulantes a bordo. O meu era Ilha Bela (quando esta estava no itinerario), depois passou a ser Montevideo e, como o cruzeiro de carnaval teve um dia a mais por ter tido overnight no Rio, meu PM passou a ser Buenos Aires. Bem no cruzeiro em que eu conheço o bofe portenho, veja soh.
Alejandro é um gatinho magrelinho e estilosinho. Tem uma dupla de musica eletrônica e uma banda de pop-rock, que me lembrou muito Cansei de Ser Sexy quando ele me mostrou a musica deles. Estudou 5 anos de cinema, tem curtas e ta escrevendo o roteiro do seu primeiro longa. é diretor também. Maconheirinho (que não trouxe maconha porque não sabia que era SUSSE de entrar a bordo com bagulho --' ). Importante é que em Buenos Aires vou fumar meu primeiro BIG BEC desde que cheguei, ele me prometeu e ainda vai me dar pra trazer. Enfim, vivemos uma paixaozinha gostosa, ele é encantador, meus amigos o conheceram, o adoraram e vivemos o maximo possivel enquanto durou (o cruzeiro). Não vou sofrer, claro, e o mais legal é que agora tenho um casinho em Buenos Aires, o que não é nada mal pra quando eu desembarcar. Agora quero um namoradinho por porto do mundo, alocka.
**O carnaval foi bom e não foi. Esperava demais do carnaval no Rio e certamente não fui aos lugares certos. Nem na hora certa porque justamente na noite do carnaval a vaca da minha chefe me colocou pra trampar até 1h. Fomos Sonali, eu, Alejandro e seu amigo Fernando (Lady Gaga feelings) pra Lapa mas era TANTA gente e tanta gente feia qua tava foda. Era um clima de fim de festa, saca? Soh os loucos, sem musica, muita sujeira. Fomos pra Ipanema, onde estava um amigo meu. Idem: gente louca, sujeira, nada de musica, soh que cheio de veado, menos gente e mais gente bonita. O Alejandro tinha trazido LSD, então tomamos 1/4 e depois 1/8 e foi uma delicia estar louquinho com ele. Rimos muito, nos pegamos gostoso, na rua, depois na areia, enfim. E no outro dia, trabalhei muitissimo melhor do que trabalhei hoje, por exemplo, com ressaca de alcool, mesmo tendo dormido soh duas horas naquela noite.
Pra matar a curiosidade dazamiga: facebook.com/djalexdelrio
beijoss
28/02/2012
Amanhã faço dois meses a bordo. Prefiro não pensar que faltam 6 e sim que ja foi 1/4. Tenho gostado de frações.
Pareço ter entrado de leves na crise dos dois meses, como ja me haviam alertado. O incidente com o Costa Allegra, um mês e pouco depois da tragédia com o Costa Concordia, me fez pensar que quase literalmente talvez devesse abandonar esse barco furado. Minha crise consiste também no fato de o trabalho estar sendo um fardo, e eu detesto essa sensação. Eu conto as horas todos os dias pra acabar meu dia de trampo. Além do mais, o trabalho é realmente dificil pra um primeiro contrato e isso me faz me sentir burro, e eu mais que detesto essa sensação. é muita informação, muita agilidade, especialmente agora que eu passei pra phone operator e "comando" o meu turno, inclusive o guest service operator da recepção. às vezes me sinto incompetente e, por mais que meus chefes sejam da hora, muitas vezes eles contribuem pra eu ter essa impressão de mim mesmo. o negocio é que você é colocado ali e a cada hora é uma situação ou um problema novo, algo que até então você desconhece e você pegunta e a resposta dos superiores vem monossilabica e você fica quebrando a cabeça pra resolver tudo e o mais depressa possivel.
eu SEI que isso é normal pra quem ta começando, mas é foda. e me da mais medo ainda o transfer que vira e uma equipe completamente nova, provavelmente todos europeus, num navio em que não vou conhecer ninguém. ai ai...
Mas falando de coisa boa... o bom mesmo nessa vida é o dinheiro. Estava aqui juntando minha grana e, pela primeira vez contando-a. Com o salario de um mês, gastando por dois meses bebendo sem a menor economia, principalmente nas areas de passageiros, gastando com o que eu tenho vontade nos portos, tendo comprado um perfume dos bão, ja descontando 880 reais de divida que deixei no Brasil (que devo depositar amanhã no Rio para os respectivos credores), me sobraram ainda mil reais. Quer dizer né... mil reais era meu salario bruto até meu ultimo emprego. E em 10 dias vem mais, jogando baixissimo, uns 2 barões. $.$ é isso, minha gente, que não me deixa ir embora... é força na peruca pra persistir.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
01/02/2012
Anteontem fiz um mês a bordo. Passou rapido e devagar ao mesmo tempo. Que passe soh rapido daqui pra frente. Não que você não goste de estar a bordo, mas fica louco pra estar em terra logo.
Assim que cheguei soube quase todos os brasileiros são transferidos pra outros navios, antes deste ir para a Asia, então adeus China, Japão, India, Vietnã, Indonésia, etc, etc. Em breve devem rolar umas listas de transfer, mas, honestamente, me da até uma vontadezinha. Espero ir pra um navio maior, mais novo, com mais tripulante, crew bar mais cheio e uma crew beach com jaccuzzi. Conhecer e pegar outras pessoas, porque depois dessas coisas que ouvi do Bruno, tudo o que eu quero dele é o corpo e nada mais.
Alias, tem um baphonzinho. Não sei se ja contei (não tenho os posts anteriores salvos no pc). O Daniel, ex do Bruno, estava todo faceiro pra cima de mim. Vinha me pegando e tals, todo facil, sendo que NUNCA tinha me dado moral. Bêbado e inocente que sou e com raiva do Bruno que estava, aproveitei a ausência do dignissimo e caih igual a um patinho na armadilha do Daniel, viborazinha que é. Minha sorte é que meu best friend a bordo me deu um berro quando viu que eu estava para beijar o garoto: GYEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEELISOOOOOOOOOOOON. Depois me disse: "Never never EVAH pegue alguém no crew bar!" Soh no outro dia raciocinei que o Daniel com certeza soube do meu lance com o Bruno, quis me pegar em publico, pra chegar aos ouvidos dele e causar discordia. E aih que anteontem à noite finalmente consegui marcar com o Bruno. Ele veio na cabine, eu contei o que tinha escutado a "nosso" respeito, me mostrei puto e maduro, e ele, como eu imaginava, negou tudo e disse que pouquissimas pessoas sabiam da gente. Aham. Daih eu (ja pra tirar o meu da reta também), contei INDIGNADISSIMO que o Daniel se jogava em cima de mim na crew party e que praticamente me agarrou. Hahahaha, alocka. Bom, ele disse que não tem nada a ver ele com o Daniel e bla-bla-bla e eu soh respondi que eu nao tava nem aih, que o problema nao era esse, que a pira não é ciume e sim fofoca e eu espero que ele tenha entendido. Se insinuou pra dormir aqui e eu fiz alocka e deixei ele ir dormir na cama desconfortavel de crew dele. Aih ontem à noite não nos vimos e essa noite tem crew party. Medo.
04/02/12
Eu estava zerado de crew pass (o cartão de consumo) na crew party...o que significa que fiquei sobrio, embora tenha tomado umas 3 doses de whisky/vodka/etc... tava até divertida, nao teve bapho, fim.
O Bruno estava e chegou contando que ja estava bêbado porque tava bebendo assistindo o jogo do flamengo na cabine. Não que futebol me atraia, mas né, não custava chamar. Isso ja fazem umas duas ou três noites (olha que o tempo começou a passar mais rapido!) Ontem à noite estavamos combinados de dormir juntos pq EU liguei pra ele anteontem à noite pra combinar e, adivinhem, ele não veio. Perdi o sono, pela primeira vez desde que cheguei. Por causa de homem. Vai se foder. O massa de ter alguém a bordo é ter companhia, conversa, carinho e sexo... e eu não tenho nada disso. Pra mim ja deu, eu não vou mais atras e, se ele vier me perguntar, vou dizer exatamente o que penso. Mas ele não vira me perguntar, ou seja, continuo na mesma "to e não to". Mas o que importa é que estou me considerando desempedido. Pena que minha fase carne-nova ja passou. E digo mais: não consigo parar de pensar que essa foi a segunda pior escolha da minha vida. A primeira foi ter feito Turismo. Eu podia estar com o Juan, juntinho, tendo companhia, papo e sexo, mas o quê que eu fiz?? Escolhi o gostoso. Mais um tapa de luva de pelica dado pela vida.E agora o Juan esta com alguém. Que alias é o primeiro piah que eu peguei a bordo, e que também rejeitei (o Silvio, que parece o Ben, de Lost, lembram)? São dois feinhos, mas são uns amores, e agora têm um ao outro. Fuck. Enfim, paciência... o jeito é esperar que tenham embarcado ontem em Santos novos gatinhos babado. Saberei amanhã na crew party que provavelmente rolara.
Cochilei por uma hora e acordei pra dar uma resposta a dois amigues se iria numa festa de passageiros na piscina. Mas tenho uma preguiça de ir a estas festas, por três motivos: 1, tem que ir de uniforme; 2, beber é caro; 3, não pode sijogar. E aih acordei com vontade de dar uma cabinparty, mas percebi que não tenho amigos pra chamar. Não é que eu viva aqui solitario, mas a Andrea não bebe e o Glauter sai todas as noites pras festas dos passageiros. São meus dois melhores amigos aqui. E todos os outros, tipo, so encontro no crew bar e nem sei o numero da cabine deles pra ligar. Tipo, nunca combinamos nada, manjam? To ficando tediado, acho que to adiantando a crise dos dois meses.
07/02/12
Estou num Mac Donalds em Buenos Aires. Sim, num Mac Donalds. 1, pq vc se cansa de pé no trabalho e tudo o que quer é ficar sentado, então ficar procurando um lugar pra comer empanadas argentinas na Florida é cansativo; 2, é financeiramente acessivel (ainda não recebi); 3, teoricamente tem wifi. Nesse não ta funcionando, mas como ja tinha comprado uma jarra de café pra ficar horas online, to aproveitando pra escrever. No proximo Mac da Florida, é so postar.
Anteontem à noite teve a crew party e eu fiquei lokalokaloka. Felizmente, porque além de me divertir (nao tocou micareta nem funk), tive a oportunidade, encorajado pelo alcool, de falar absolutamente tudo o que eu pensava pro Bruno.
Começo. Umas 2h e tantas da manhã, no smoking point, eis que o Daniel, o ex, mesmo com o Bruno do lado, ficou de olhares e sorrisos pra mim. E o Bruno me pergunta se ele eu estavamos ficando, ao que respondo " que pergunta, vai tomar no seu cu." Me aproximando do Daniel perguntei pra ele qual era a dele e ele disse na caruda que era muito a fim de mim. Perguntei se ele achava mesmo que eu acreditaria nisso, ja que esse interesse todo soh começou depois que comecei a ficar com o Bruno. E aih ele continua afirmando que me quer e bla-bla-bla e me pergunta se eu to feliz com ele ao que, sinceramente, respondo que não. E aih que ele começa a falar mal do Bruno, mas assim, mal MESMO, até coisas do tipo "pqp, ele beija devagar, me dava uma raiva" ( o que é verdade) e "ele tem mau halito" (o que até agora felizmente nao constatei). Nisso o Bruno, que não sei se tava ouvindo, porque todo mundo no smpking point tava vendo que tava rolando uma discussão, sai. Continuo nessa e ele me diz que o Bruno saiu falando que queria comê-lo e que ele ouviu dizer que o Bruno falava por aih que pegava alguém de quem ele nem era a fim. E aih o Bruno aparece de novo do outro lado do smoking point me chamando e eu vou.
Muito Malhação, gente, eu sei, mas life on board pareceser meio isso. Paciência que esse é o meio do "bapho".
Vou com o Bruno até minha cabine, do outro lado do navio, sem dizer palavra. Chegamos, me dispo, arrumo a cama pra deitar, ele me pergunta: "ta tudo bem?" "Não." E aih começo: que era a segunda vez de uma segunda pessoa que eu ouvia que ele nem era a fim de mim; que eu não tava apaixonado então que se ele quisesse parar com a putaria, não fazia diferença pra mim; que eu queria ter alguém a bordo pra ter companhia, com quem conversar, ver filme, sair do navio junto, e que, com ele, eu não tinha porra nenhuma; que eu precisava entender o que ele queria afinal, etc, etc... que eu sabia que era muito pouco tempo pra cobrar alguma coisa de alguém, mas que la dentro a noção de tempo é outra, que as coisas são mais intensas, coisas com as concordou. Também ele falou que era tudo mentira do povo, nao-sei-o-que-não -sei-o-quê-lah (na verdade quem falou Mesmo fui eu), e no fim me pediu desculpa pela ausência e tals. Eu tava cansado e bêbado demais pra desfrutar do corpo dele, mas dormimos juntos. Ontem à noite fiquei vendo filme, confesso que soh querendo ver se ele ia dar noticia. E apareceu. Todo suado depois de correr (adooro), mas tava indo numa festinha de aniversario duma guria no crew bar. Não fui porque hoje eu começava às 6h da matina. Até tentou ver se nossos horarios dariam certo pra nos encontrarmos aqui em Bs As, mas nem rolou.
Vamo ver quê que da...
Assim que cheguei soube quase todos os brasileiros são transferidos pra outros navios, antes deste ir para a Asia, então adeus China, Japão, India, Vietnã, Indonésia, etc, etc. Em breve devem rolar umas listas de transfer, mas, honestamente, me da até uma vontadezinha. Espero ir pra um navio maior, mais novo, com mais tripulante, crew bar mais cheio e uma crew beach com jaccuzzi. Conhecer e pegar outras pessoas, porque depois dessas coisas que ouvi do Bruno, tudo o que eu quero dele é o corpo e nada mais.
Alias, tem um baphonzinho. Não sei se ja contei (não tenho os posts anteriores salvos no pc). O Daniel, ex do Bruno, estava todo faceiro pra cima de mim. Vinha me pegando e tals, todo facil, sendo que NUNCA tinha me dado moral. Bêbado e inocente que sou e com raiva do Bruno que estava, aproveitei a ausência do dignissimo e caih igual a um patinho na armadilha do Daniel, viborazinha que é. Minha sorte é que meu best friend a bordo me deu um berro quando viu que eu estava para beijar o garoto: GYEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEELISOOOOOOOOOOOON. Depois me disse: "Never never EVAH pegue alguém no crew bar!" Soh no outro dia raciocinei que o Daniel com certeza soube do meu lance com o Bruno, quis me pegar em publico, pra chegar aos ouvidos dele e causar discordia. E aih que anteontem à noite finalmente consegui marcar com o Bruno. Ele veio na cabine, eu contei o que tinha escutado a "nosso" respeito, me mostrei puto e maduro, e ele, como eu imaginava, negou tudo e disse que pouquissimas pessoas sabiam da gente. Aham. Daih eu (ja pra tirar o meu da reta também), contei INDIGNADISSIMO que o Daniel se jogava em cima de mim na crew party e que praticamente me agarrou. Hahahaha, alocka. Bom, ele disse que não tem nada a ver ele com o Daniel e bla-bla-bla e eu soh respondi que eu nao tava nem aih, que o problema nao era esse, que a pira não é ciume e sim fofoca e eu espero que ele tenha entendido. Se insinuou pra dormir aqui e eu fiz alocka e deixei ele ir dormir na cama desconfortavel de crew dele. Aih ontem à noite não nos vimos e essa noite tem crew party. Medo.
04/02/12
Eu estava zerado de crew pass (o cartão de consumo) na crew party...o que significa que fiquei sobrio, embora tenha tomado umas 3 doses de whisky/vodka/etc... tava até divertida, nao teve bapho, fim.
O Bruno estava e chegou contando que ja estava bêbado porque tava bebendo assistindo o jogo do flamengo na cabine. Não que futebol me atraia, mas né, não custava chamar. Isso ja fazem umas duas ou três noites (olha que o tempo começou a passar mais rapido!) Ontem à noite estavamos combinados de dormir juntos pq EU liguei pra ele anteontem à noite pra combinar e, adivinhem, ele não veio. Perdi o sono, pela primeira vez desde que cheguei. Por causa de homem. Vai se foder. O massa de ter alguém a bordo é ter companhia, conversa, carinho e sexo... e eu não tenho nada disso. Pra mim ja deu, eu não vou mais atras e, se ele vier me perguntar, vou dizer exatamente o que penso. Mas ele não vira me perguntar, ou seja, continuo na mesma "to e não to". Mas o que importa é que estou me considerando desempedido. Pena que minha fase carne-nova ja passou. E digo mais: não consigo parar de pensar que essa foi a segunda pior escolha da minha vida. A primeira foi ter feito Turismo. Eu podia estar com o Juan, juntinho, tendo companhia, papo e sexo, mas o quê que eu fiz?? Escolhi o gostoso. Mais um tapa de luva de pelica dado pela vida.E agora o Juan esta com alguém. Que alias é o primeiro piah que eu peguei a bordo, e que também rejeitei (o Silvio, que parece o Ben, de Lost, lembram)? São dois feinhos, mas são uns amores, e agora têm um ao outro. Fuck. Enfim, paciência... o jeito é esperar que tenham embarcado ontem em Santos novos gatinhos babado. Saberei amanhã na crew party que provavelmente rolara.
Cochilei por uma hora e acordei pra dar uma resposta a dois amigues se iria numa festa de passageiros na piscina. Mas tenho uma preguiça de ir a estas festas, por três motivos: 1, tem que ir de uniforme; 2, beber é caro; 3, não pode sijogar. E aih acordei com vontade de dar uma cabinparty, mas percebi que não tenho amigos pra chamar. Não é que eu viva aqui solitario, mas a Andrea não bebe e o Glauter sai todas as noites pras festas dos passageiros. São meus dois melhores amigos aqui. E todos os outros, tipo, so encontro no crew bar e nem sei o numero da cabine deles pra ligar. Tipo, nunca combinamos nada, manjam? To ficando tediado, acho que to adiantando a crise dos dois meses.
07/02/12
Estou num Mac Donalds em Buenos Aires. Sim, num Mac Donalds. 1, pq vc se cansa de pé no trabalho e tudo o que quer é ficar sentado, então ficar procurando um lugar pra comer empanadas argentinas na Florida é cansativo; 2, é financeiramente acessivel (ainda não recebi); 3, teoricamente tem wifi. Nesse não ta funcionando, mas como ja tinha comprado uma jarra de café pra ficar horas online, to aproveitando pra escrever. No proximo Mac da Florida, é so postar.
Anteontem à noite teve a crew party e eu fiquei lokalokaloka. Felizmente, porque além de me divertir (nao tocou micareta nem funk), tive a oportunidade, encorajado pelo alcool, de falar absolutamente tudo o que eu pensava pro Bruno.
Começo. Umas 2h e tantas da manhã, no smoking point, eis que o Daniel, o ex, mesmo com o Bruno do lado, ficou de olhares e sorrisos pra mim. E o Bruno me pergunta se ele eu estavamos ficando, ao que respondo " que pergunta, vai tomar no seu cu." Me aproximando do Daniel perguntei pra ele qual era a dele e ele disse na caruda que era muito a fim de mim. Perguntei se ele achava mesmo que eu acreditaria nisso, ja que esse interesse todo soh começou depois que comecei a ficar com o Bruno. E aih ele continua afirmando que me quer e bla-bla-bla e me pergunta se eu to feliz com ele ao que, sinceramente, respondo que não. E aih que ele começa a falar mal do Bruno, mas assim, mal MESMO, até coisas do tipo "pqp, ele beija devagar, me dava uma raiva" ( o que é verdade) e "ele tem mau halito" (o que até agora felizmente nao constatei). Nisso o Bruno, que não sei se tava ouvindo, porque todo mundo no smpking point tava vendo que tava rolando uma discussão, sai. Continuo nessa e ele me diz que o Bruno saiu falando que queria comê-lo e que ele ouviu dizer que o Bruno falava por aih que pegava alguém de quem ele nem era a fim. E aih o Bruno aparece de novo do outro lado do smoking point me chamando e eu vou.
Muito Malhação, gente, eu sei, mas life on board pareceser meio isso. Paciência que esse é o meio do "bapho".
Vou com o Bruno até minha cabine, do outro lado do navio, sem dizer palavra. Chegamos, me dispo, arrumo a cama pra deitar, ele me pergunta: "ta tudo bem?" "Não." E aih começo: que era a segunda vez de uma segunda pessoa que eu ouvia que ele nem era a fim de mim; que eu não tava apaixonado então que se ele quisesse parar com a putaria, não fazia diferença pra mim; que eu queria ter alguém a bordo pra ter companhia, com quem conversar, ver filme, sair do navio junto, e que, com ele, eu não tinha porra nenhuma; que eu precisava entender o que ele queria afinal, etc, etc... que eu sabia que era muito pouco tempo pra cobrar alguma coisa de alguém, mas que la dentro a noção de tempo é outra, que as coisas são mais intensas, coisas com as concordou. Também ele falou que era tudo mentira do povo, nao-sei-o-que-não -sei-o-quê-lah (na verdade quem falou Mesmo fui eu), e no fim me pediu desculpa pela ausência e tals. Eu tava cansado e bêbado demais pra desfrutar do corpo dele, mas dormimos juntos. Ontem à noite fiquei vendo filme, confesso que soh querendo ver se ele ia dar noticia. E apareceu. Todo suado depois de correr (adooro), mas tava indo numa festinha de aniversario duma guria no crew bar. Não fui porque hoje eu começava às 6h da matina. Até tentou ver se nossos horarios dariam certo pra nos encontrarmos aqui em Bs As, mas nem rolou.
Vamo ver quê que da...
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
17/01/2012
Ainda sobre o tempo, esqueci de comentar. Parece que to aqui ha meses, na moral. nao é que eu super não goste, mas é unânime o que todos dizem sobre um dia parecer uma semana e uma semana parecer um mês. Alias, hoje foi meu 19º dia, o que em dias-navio significa mais de 4 meses haha
Tanto que anteontem, voltando do crew bar, resolvi que daria um tempo do circuito night life daqui. "Dar um tempo" por aqui significa sumir por três noites. Maximo 4. Senão também periga esquecerem que você existe. Também periga enlouquecer com tanto tempo na cabine.
Explico por que resolvi dar esse tempo. claro que tem a ver com homem. Tem o carioca, o Bruno. E tem o paulistano, o Juan. Este, naquela noite em que escrevi que me encontrei com ele, chegou chegandão, e eu bravamente resisti (quase não consegui), porque minha primeira opção é o Bruno. E eles são amigos e trabalham juntos. Acontece que eu pedi pra Andrea sondar o Bruno em relação a mim e este lhe disse que não queria ficar com mais ninguém por ficar porque ele teve um namoradinho a bordo que, depois de umas duas semanas, estava indeciso e deu um pé nele. Ele quer alguém for good. E então tem medo de se envolver e bla bla bla. No entanto, disse que me curtia e tals. Aih, anteontem à noite, ele e eu conversamos sobre a relação que ele teve e sobre o esperavamos de alguém a bordo, etc. Foi a primeira vez que tivemos uma conversa "soh nos dois" * . O problema é que Juan e eu, carência de bordo que existe em todos, estamos sempre de abracinhos e de deitar no colo e etc. E, no dia seguinte, o Bruno comentou com a Andrea que achava aquilo estranho, que, como ele quer alguém for real, aquele comportamento fazia parecer que eu meio que tava com o Juan, enfim... Pode parecer idiota, mas aqui não é. Tanto é que duas pessoas ja vieram me perguntar se eu tava com o Juan --' Aih a Andrea me deu um toque que se eu queria investir no Bruno, eu precisava acabar com esse tipo de comportamento publico com o Juan. Mas como eu não sei dizer não a ninguém, eu preferi desaparecer da noite pra pensar no que fazer. Mas claro que ainda não pensei em nada e provavelmente não vou. Toda essa indecisão explico por quê. o Juan ja é alguém certo, um passaro na mão, e o Bruno é so uma possibilidade, ainda que grande. O Juan me parece mais leve e descomplicado, mas o Bruno é taaaaao mais bonito e gostoso. Fica dificil cortar o Juan pra tentar o Bruno. Mas também fica dificil ficar logo com o Juan e perder as chances com o Bruno. Manjam?
* Coloquei essa nota de rodapé pra explicar o porquê das aspas. Aqui é muito foda você ter a oportunidade de falar com alguém a sos. Isso simplesmente nunca acontece. Você sempre chega no bar ou no smoking point e encontra todo mundo (literalmente) e você nunca, nunca mesmo, fica sozinho com quem você quer falar a sos. It sucks. Essa conversa "soh com o Bruno" que tive, foi na mesa cheia de gente, mas tipo papo paralelo, sendo interrompidos e tendo que ser discretos pra ninguém ouvir.
Vou dormir!
20/1/2012
é uma pena que eu nao possa postar sempre que escrevo, porque aqui o que aconteceu ontem aconteceu ha muito tempo.
Antes de contar o baphon, preciso fazer um adendo (adento?): mudei de cabine =) Como o Jonathan ficou sozinho na cabine semana passada e ficaria com o novo menino, que entrou ontem, eu pedi pra vir pra cabine dele, decisão que ficou conhecida como A Mais Sabia do Mundo. Me livrei do mala do Thomas, estou morando com uma biba ponta firme e o melhor de tudo: ele trabalha à noite, which means: eu tenho a cabine so pra mim todas as noites EVAH =D Agora, vamos aos bophes...
Daih que depois de ter "sumido" do circuito por duas noites (três felizmente nao consegui), a Andrea me chamou anteontem pra ir ao Crew Bar caso o Bruno fosse, ja que iam correr juntos à noite. Fui. Bebi umas duas cervejinhas, uma vodka, e, quando o Bruno ensinuou que ia embora dormir, chamei-o pra fumar um cigarro na crew beach. A crew beach é um lugar que de beach so tem o nome, porque este navio é um dos unicos da Costa que nao tem jacuzzi pra tripulante. é um espaço aberto na proa, com smoking point, e do qual o Bruno ja tinha me dito gostar de ir à noite, porque nunca tem ninguém, da pra ver o céu estrelado, etc. Ele topou e, quando la chegamos, estava chovendo, entao chamei-o pra fumar um cigarro no banheiro da minha cabine. Convite glamuroso. Fumamos, ouvimos uma musiquinha e, quando ele ensinuou (maldita falta de internet pra tirar a duvida de como se escreve ensinuar ou insinuar) que ia embora, falei "dorme aqui comigo", o que ele topou de imediato. E aih gente... concluindo... to assim... digamos... oh céus... apaixonado?!
Ficamos de carinhos por horas e como, eu ja sabia, segundo ele e a Andrea, ele nunca tinha transado com o ex-namoradinho-de-bordo de uma semana, fiz a linha boa moça. E foi fofo, eu também curto isso, vocês sabem. Aih ontem teve uma crew party, fizemos um social, viemos cedo pra cabine e rolou uma pegação maior (mas ainda de cuecas apenas) e hoje de manhã idem e eu soh tenho uma coisa pra dizer: todas vocês morreriam de inveja hahahah Ele é moreno, bem tipo carioca mesmo, sarado, peitoral, tanquinho, a panturrilha parece um tijolo e um pau fenomenal. As vezes eu nem acredito. Beija bem, tem pegada. E o melhor de tudo: é fofo, educado, inteligente, tem um sorriso lindo, é simpatico. Com um cara assim num lugar desses é quase impossivel não se apaixonar em duas noites.
Tenho muito medo de quebrar a cara. Muito. Porque se isso acontece, você não tem o que fazer, não tem aonde ir, pra onde fugir. Sei que eu devia segurar a onda, gente, mas é impossivel. Anos sem gostar de ninguém e me aparece um homem desses. Num lugar em que a carência das pessoas é elevada à décima potência (e a minha ja não era pequena). Não vai dar pra não mijogar nessa "relação", mesmo que depois eu tome no cu.
21/01/12
Escrever por data parece muito um diario de bordo. e é, então vou continuar fazendo isso.
Sobre o ambiente daqui... não é nenhum bicho de sete cabeças como ouvimos de fora. Pelo menos não no meu departamento. essa estoria de ganhar warning por qualquer coisa é bobagem. eles nao podem simplesmente sair dando warning, senao teriam que demitir muita gente e, oi, falta gente pra trabalhar nesse lugar.
o mais legal aqui é que é um cruzeiro das loucas mesmo. é muuuuita bicha e muito sapatão. e, como em qualquer lugar do mundo, a grande minoria é pegavel, mas não deixa de ser divertido. e os héteros, coitados, acabam virando muito gay friendly... dao beijo no rosto, se insinuam, fazem graça. e muitos acabam pegando homem pq é o q tem pra hoje pra eles. indianos, filipinos, chineses, etc, acabam se acostumando, o que também é engraçado. mas muitos ainda dao aqueeela olhada qd passa casal de homem ou de mulher pelos corredores. falando nisso, o corredor que da acesso ao crew bar, aos "refeitorios" e a um dos smoking points é conhecido como Augusta. Mas antes fosse... entrei aqui pensando que so teria maluco, bar lotado, crew parties bombantes, maaaannnnnnnssss... o bar so começa a ter gente la pela meia-noite e, muitas vezes, como hoje (que eu tava de pé às 5h da matina), eu ja quero estar deitado a essa hora. e mesmo assim, é muita gente tomando coca-cola. aih chega a crew party e colocam um tiozao italiano pançudo pra ser o DJ e a festa acaba virando sempre uma mistura de micareta (Ivete Sangalo é a preferida) e baile funk (certeza que o padre, que é quem organiza as festas, não entende a letra). Foda. Aih o jeito é beber e socializar ao arredores da pista, dançandinho no maximo. Os tripulantes que estao aqui transferidos de outro navio ou que tramparam em outro navio em contratos anteriores, detestam o Victoria. Pq é pequeno, velho, parece um labirinto, todo mundo mora num deck diferente, etc. Eu não tenho parâmetro, então não chego a detestar. E em navios grandes a recepção trampa mais, então não reclamo.
Falando nisso, que pregui da recepção. Ja começo a tratar mal os argentinos. Brasileiros eu trato feliz da vida, pq tudo o que eu ouço o dia inteiro é o maldito castellano. E olha que a maioria dos passageiros são brasileiros. E sabem o porquê de eu mal falar português? Porque os argentinos são burros, chatos, insistentes, repetitivos e extremamente dependentes. TODOS chegam na recepção e começam assim "una pregunta", ou "una preguntita", ou "una consulta" e eu tenho vontade de socar a cara de cada um deles. E eles sempre acabam fazendo não uma, mas quinze preguntitas. Chega a tal ponto, que quando perguntam algo em que a resposta é "sim" ou "não", ficam parados na sua frente tentando pensar em outra pergunta ou perguntando mais três ou quatro vezes a mesma coisa so pra confirmar. E eu soh fico no "si. si. si. si." cada vez menos simpatico.
E são pobres!!!!!!!!! Vem com os pesos contados e ficam pedindo extrato da conta na recepção pelo menos duas vezes por dia. Debruçam no balcão pra conferir item por item e encher o saco, mesmo tendo uma fila enorme atras. E esquecem o que consomem, sempre acham que tão sendo passados pra tras, e ficam "preguntando". Vai se foder. Sei que quando essa temporada passar eu vou conseguir terminar o contrato, porque quem aguenta argentino aguenta qualquer povo do mundo, até os franceses.
Desabafei.
Vou dar uma cochilada, esperando dormir com um tal moreno alto, bonito e sensual de novo.
26/01/12
é incrivel como alegria de pobre realmente dura pouco. E então que anteontem à noite, no bar, uma biba fofoqueira veio me perguntar se eu tinha pegado o Bruno... o que até entao, de minha parte, era meio segredo. Nao pude negar, ja curiosa que estava eu. Perguntei como ela soube e vejam soh mais ou menos a transcrição da resposta: "o Bruno não sabia que a gente era amigo e veio me dizer que pegou um menino da recepção, o do nome estranho... ele é meio pacato, mas ja que não tenho mais o Dani..." Dani é o ex namoradinho dele. Pois é gente... Pelo menos na noite anterior a essa descoberta, finalmente tocamo-nos uma punhetinha. Afinal, se este for ja o fim da relação, pelo menos não foi de todo em vão. Ja começo a lamentar a perda daquele pau mara. Fiquei muito de cara e decepcionado. Ignorei ele na noite seguinte, no bar, e fui linda pra discoteca dos passgeiros - à qual ele, crew que é, não tem acesso beijos. Ontem não fui ao bar, então não o vi. E não sei como agir, não sei o que dizer, então acho que enquanto penso nisso, vou continuar ignorando pra ver se ele vem falar alguma coisa. Alguma coisa ele tera de dizer alguma hora, porque afinal ele tem coisas na minha cabine para pegar. E o pior é que antes eu tinha a opção de pegar o Juan, mas este, amigo do Bruno que é, com certeza ja perdi também e agora não tenho nem opção mais. Mas antes que vocês se preocupem, ja venho dizer que não dou dando muito moral pra isso mais não. Do mesmo jeito que aqui a gente se apega em dois dias, a gente se desapega em três.
Tanto que anteontem, voltando do crew bar, resolvi que daria um tempo do circuito night life daqui. "Dar um tempo" por aqui significa sumir por três noites. Maximo 4. Senão também periga esquecerem que você existe. Também periga enlouquecer com tanto tempo na cabine.
Explico por que resolvi dar esse tempo. claro que tem a ver com homem. Tem o carioca, o Bruno. E tem o paulistano, o Juan. Este, naquela noite em que escrevi que me encontrei com ele, chegou chegandão, e eu bravamente resisti (quase não consegui), porque minha primeira opção é o Bruno. E eles são amigos e trabalham juntos. Acontece que eu pedi pra Andrea sondar o Bruno em relação a mim e este lhe disse que não queria ficar com mais ninguém por ficar porque ele teve um namoradinho a bordo que, depois de umas duas semanas, estava indeciso e deu um pé nele. Ele quer alguém for good. E então tem medo de se envolver e bla bla bla. No entanto, disse que me curtia e tals. Aih, anteontem à noite, ele e eu conversamos sobre a relação que ele teve e sobre o esperavamos de alguém a bordo, etc. Foi a primeira vez que tivemos uma conversa "soh nos dois" * . O problema é que Juan e eu, carência de bordo que existe em todos, estamos sempre de abracinhos e de deitar no colo e etc. E, no dia seguinte, o Bruno comentou com a Andrea que achava aquilo estranho, que, como ele quer alguém for real, aquele comportamento fazia parecer que eu meio que tava com o Juan, enfim... Pode parecer idiota, mas aqui não é. Tanto é que duas pessoas ja vieram me perguntar se eu tava com o Juan --' Aih a Andrea me deu um toque que se eu queria investir no Bruno, eu precisava acabar com esse tipo de comportamento publico com o Juan. Mas como eu não sei dizer não a ninguém, eu preferi desaparecer da noite pra pensar no que fazer. Mas claro que ainda não pensei em nada e provavelmente não vou. Toda essa indecisão explico por quê. o Juan ja é alguém certo, um passaro na mão, e o Bruno é so uma possibilidade, ainda que grande. O Juan me parece mais leve e descomplicado, mas o Bruno é taaaaao mais bonito e gostoso. Fica dificil cortar o Juan pra tentar o Bruno. Mas também fica dificil ficar logo com o Juan e perder as chances com o Bruno. Manjam?
* Coloquei essa nota de rodapé pra explicar o porquê das aspas. Aqui é muito foda você ter a oportunidade de falar com alguém a sos. Isso simplesmente nunca acontece. Você sempre chega no bar ou no smoking point e encontra todo mundo (literalmente) e você nunca, nunca mesmo, fica sozinho com quem você quer falar a sos. It sucks. Essa conversa "soh com o Bruno" que tive, foi na mesa cheia de gente, mas tipo papo paralelo, sendo interrompidos e tendo que ser discretos pra ninguém ouvir.
Vou dormir!
20/1/2012
é uma pena que eu nao possa postar sempre que escrevo, porque aqui o que aconteceu ontem aconteceu ha muito tempo.
Antes de contar o baphon, preciso fazer um adendo (adento?): mudei de cabine =) Como o Jonathan ficou sozinho na cabine semana passada e ficaria com o novo menino, que entrou ontem, eu pedi pra vir pra cabine dele, decisão que ficou conhecida como A Mais Sabia do Mundo. Me livrei do mala do Thomas, estou morando com uma biba ponta firme e o melhor de tudo: ele trabalha à noite, which means: eu tenho a cabine so pra mim todas as noites EVAH =D Agora, vamos aos bophes...
Daih que depois de ter "sumido" do circuito por duas noites (três felizmente nao consegui), a Andrea me chamou anteontem pra ir ao Crew Bar caso o Bruno fosse, ja que iam correr juntos à noite. Fui. Bebi umas duas cervejinhas, uma vodka, e, quando o Bruno ensinuou que ia embora dormir, chamei-o pra fumar um cigarro na crew beach. A crew beach é um lugar que de beach so tem o nome, porque este navio é um dos unicos da Costa que nao tem jacuzzi pra tripulante. é um espaço aberto na proa, com smoking point, e do qual o Bruno ja tinha me dito gostar de ir à noite, porque nunca tem ninguém, da pra ver o céu estrelado, etc. Ele topou e, quando la chegamos, estava chovendo, entao chamei-o pra fumar um cigarro no banheiro da minha cabine. Convite glamuroso. Fumamos, ouvimos uma musiquinha e, quando ele ensinuou (maldita falta de internet pra tirar a duvida de como se escreve ensinuar ou insinuar) que ia embora, falei "dorme aqui comigo", o que ele topou de imediato. E aih gente... concluindo... to assim... digamos... oh céus... apaixonado?!
Ficamos de carinhos por horas e como, eu ja sabia, segundo ele e a Andrea, ele nunca tinha transado com o ex-namoradinho-de-bordo de uma semana, fiz a linha boa moça. E foi fofo, eu também curto isso, vocês sabem. Aih ontem teve uma crew party, fizemos um social, viemos cedo pra cabine e rolou uma pegação maior (mas ainda de cuecas apenas) e hoje de manhã idem e eu soh tenho uma coisa pra dizer: todas vocês morreriam de inveja hahahah Ele é moreno, bem tipo carioca mesmo, sarado, peitoral, tanquinho, a panturrilha parece um tijolo e um pau fenomenal. As vezes eu nem acredito. Beija bem, tem pegada. E o melhor de tudo: é fofo, educado, inteligente, tem um sorriso lindo, é simpatico. Com um cara assim num lugar desses é quase impossivel não se apaixonar em duas noites.
Tenho muito medo de quebrar a cara. Muito. Porque se isso acontece, você não tem o que fazer, não tem aonde ir, pra onde fugir. Sei que eu devia segurar a onda, gente, mas é impossivel. Anos sem gostar de ninguém e me aparece um homem desses. Num lugar em que a carência das pessoas é elevada à décima potência (e a minha ja não era pequena). Não vai dar pra não mijogar nessa "relação", mesmo que depois eu tome no cu.
21/01/12
Escrever por data parece muito um diario de bordo. e é, então vou continuar fazendo isso.
Sobre o ambiente daqui... não é nenhum bicho de sete cabeças como ouvimos de fora. Pelo menos não no meu departamento. essa estoria de ganhar warning por qualquer coisa é bobagem. eles nao podem simplesmente sair dando warning, senao teriam que demitir muita gente e, oi, falta gente pra trabalhar nesse lugar.
o mais legal aqui é que é um cruzeiro das loucas mesmo. é muuuuita bicha e muito sapatão. e, como em qualquer lugar do mundo, a grande minoria é pegavel, mas não deixa de ser divertido. e os héteros, coitados, acabam virando muito gay friendly... dao beijo no rosto, se insinuam, fazem graça. e muitos acabam pegando homem pq é o q tem pra hoje pra eles. indianos, filipinos, chineses, etc, acabam se acostumando, o que também é engraçado. mas muitos ainda dao aqueeela olhada qd passa casal de homem ou de mulher pelos corredores. falando nisso, o corredor que da acesso ao crew bar, aos "refeitorios" e a um dos smoking points é conhecido como Augusta. Mas antes fosse... entrei aqui pensando que so teria maluco, bar lotado, crew parties bombantes, maaaannnnnnnssss... o bar so começa a ter gente la pela meia-noite e, muitas vezes, como hoje (que eu tava de pé às 5h da matina), eu ja quero estar deitado a essa hora. e mesmo assim, é muita gente tomando coca-cola. aih chega a crew party e colocam um tiozao italiano pançudo pra ser o DJ e a festa acaba virando sempre uma mistura de micareta (Ivete Sangalo é a preferida) e baile funk (certeza que o padre, que é quem organiza as festas, não entende a letra). Foda. Aih o jeito é beber e socializar ao arredores da pista, dançandinho no maximo. Os tripulantes que estao aqui transferidos de outro navio ou que tramparam em outro navio em contratos anteriores, detestam o Victoria. Pq é pequeno, velho, parece um labirinto, todo mundo mora num deck diferente, etc. Eu não tenho parâmetro, então não chego a detestar. E em navios grandes a recepção trampa mais, então não reclamo.
Falando nisso, que pregui da recepção. Ja começo a tratar mal os argentinos. Brasileiros eu trato feliz da vida, pq tudo o que eu ouço o dia inteiro é o maldito castellano. E olha que a maioria dos passageiros são brasileiros. E sabem o porquê de eu mal falar português? Porque os argentinos são burros, chatos, insistentes, repetitivos e extremamente dependentes. TODOS chegam na recepção e começam assim "una pregunta", ou "una preguntita", ou "una consulta" e eu tenho vontade de socar a cara de cada um deles. E eles sempre acabam fazendo não uma, mas quinze preguntitas. Chega a tal ponto, que quando perguntam algo em que a resposta é "sim" ou "não", ficam parados na sua frente tentando pensar em outra pergunta ou perguntando mais três ou quatro vezes a mesma coisa so pra confirmar. E eu soh fico no "si. si. si. si." cada vez menos simpatico.
E são pobres!!!!!!!!! Vem com os pesos contados e ficam pedindo extrato da conta na recepção pelo menos duas vezes por dia. Debruçam no balcão pra conferir item por item e encher o saco, mesmo tendo uma fila enorme atras. E esquecem o que consomem, sempre acham que tão sendo passados pra tras, e ficam "preguntando". Vai se foder. Sei que quando essa temporada passar eu vou conseguir terminar o contrato, porque quem aguenta argentino aguenta qualquer povo do mundo, até os franceses.
Desabafei.
Vou dar uma cochilada, esperando dormir com um tal moreno alto, bonito e sensual de novo.
26/01/12
é incrivel como alegria de pobre realmente dura pouco. E então que anteontem à noite, no bar, uma biba fofoqueira veio me perguntar se eu tinha pegado o Bruno... o que até entao, de minha parte, era meio segredo. Nao pude negar, ja curiosa que estava eu. Perguntei como ela soube e vejam soh mais ou menos a transcrição da resposta: "o Bruno não sabia que a gente era amigo e veio me dizer que pegou um menino da recepção, o do nome estranho... ele é meio pacato, mas ja que não tenho mais o Dani..." Dani é o ex namoradinho dele. Pois é gente... Pelo menos na noite anterior a essa descoberta, finalmente tocamo-nos uma punhetinha. Afinal, se este for ja o fim da relação, pelo menos não foi de todo em vão. Ja começo a lamentar a perda daquele pau mara. Fiquei muito de cara e decepcionado. Ignorei ele na noite seguinte, no bar, e fui linda pra discoteca dos passgeiros - à qual ele, crew que é, não tem acesso beijos. Ontem não fui ao bar, então não o vi. E não sei como agir, não sei o que dizer, então acho que enquanto penso nisso, vou continuar ignorando pra ver se ele vem falar alguma coisa. Alguma coisa ele tera de dizer alguma hora, porque afinal ele tem coisas na minha cabine para pegar. E o pior é que antes eu tinha a opção de pegar o Juan, mas este, amigo do Bruno que é, com certeza ja perdi também e agora não tenho nem opção mais. Mas antes que vocês se preocupem, ja venho dizer que não dou dando muito moral pra isso mais não. Do mesmo jeito que aqui a gente se apega em dois dias, a gente se desapega em três.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Tomar uma cervejinha, vê os bofim...
Então que ser carne nova num navio é muito demais. Hoje é meu 14º dia (e contando...), entao ja to perdendo a graça se pa. Mas bem no inicio ficava sabendo de alguém a fim de mim a cada dia. Mas adivinha: tive que curtir alguém que, de tão discreto, quase nunca o vejo e não faço ideia do que ele pensa de mim. é brasileiro, e cleaner. Um pouquinho menos baixo que eu, moreninho, querido, uma graça. Soube que ele namorava a bordo e, ha um mês, o namorado desembarcou por motivos pessoais. Dois ou trêsdias atras soube que o namorado dele embarcou de novo aqui e, desde então, vejo o Leonardo menos ainda. Não sei se estão juntos, mas enfim... ta dificil. Niki o navio inteiro ja sabe que eu sou a fim dele. O outro que curto é um carioca moreno, uma coisa de simpatia e educação, sarado... mas esse também é dificil saber.
Ainda nesse assunto e voltandinho ao meu cabinmate... eu tava por cima da carne seca depois que ouvi ele falando de mim, mas é calaaaro que dei um jeito de pisar na bola. Numa noite dessas, uma semana atras, depois do crew bar, o Silvio me liga. Este é um dos que são a fim de mim. Trabalha no shopping, um amorzinho, mas parece o Ben de Lost, pra quem assistiu. Este me ligou na cabine, quase madruga, perguntando se eu queria ir dormir com ele. Como nao sei dizer nao, falei pra ele descer pra minha. Com o telefone, o Thom acordou, perguntou quem era, eu disse que era engano. No meu raciocinio de bêbado, ele iria dormir nos proximos 30segundos, antes do Silvio chegar. Aham. O Silvio chegou, trouxe ele mocado pra minha cama e ficamos de pegaçao um bom tempo até que o Thom, obviamente acordado, levantou, se vestiu no escuro e, puto da cara, saiu da cabine sem dizer palavra. No outro dia, pedi desculpas e, enfim, continuamos nos suportando. Mas, na moral, ele so come, dorme e trabalha. E trabalha mal, ta sempre se estabanando ao atender passageiros, da muita informação errada. Nao fez amigos, é chato e fede. Como eu disse, ele nao tem perfil, tadinho. Sobre o Silvio, ele ficou todo meloso pra mim nos dias seguintes, ao que nao correspondi. Soube que ele ja se ligou que ja era, a Andrea, tb amiga dele, me contou. C'est la vie...
Anteontem teve crew party. Foi a segunda. E pela segunda vez fomos pra crew bitch, soh as fervidas, la pelas 2h, qd o bar fecha. E de la, fui pra cabine de um italiano que, gente, creiam-me: é um TENOR. Assisti um show dele esses dias. Peguei meu proprio Andrea Boccelli hahahah... é um tiozao gostosao, meio fetiche "bear", com um pinto mara. Ele ta de rolo com uma bichinha casada, que embarcou no mesmo dia que eu, cujo marido esta sendo transferido pra este navio. Vagabundinha. O caso é secreto, porque aqui a fofoca voa. Mas, bem relacionado que ja estou, descobri. E hoje ela veio me perguntar se eu tinha pegado o Samuele, ao que obviamente respondi que não. Em tom de brincadeira, disse que me esfolava na gilete se descobrisse. Tadinha, ela tem um caso, o marido ta pra chegar e ela acha que pode ME chantagear --'
Meu bloqueio psico-sexual super felizmente não deu sinal de existência aqui. E que assim permaneça para todo o sempre, amém.
Bom, com o Samuele acho que posso transar eventualmente, porque ele pega todo mundo mesmo, na discrição. é italiano, quem fofoca mesmo são os brasileiros. Mas semana passada embarcou um paulistano, do Room Service, e hoje saimos pra almoçar juntos em Buenos Aires. Vou tirar um cochilo agora e mais tarde vou encontra-lo no crew bar. é a primeira vez que to a fim de alguém que ta a fim de mim.
Sobre alcool, estou bebendo mais em frequência e menos em quantidade. Todo fim do dia, vou no crew bar, pego uma cerveja e vou pro smoking point, fumar todos os cigarros que deixei de fumar nas horas de trabalho. Também aprendi que fumar no banheiro é susse. Um amigo me contou que conhece duas pessoas no navio que fumam bec, mas não me contou quem são, por discrição, embora eu lhe tivesse me descrevido como "maconheiro em abstinência". até eu achar os maconheiros aqui ainda leva um tempo acho.
Enfim, genchy, quanto a alcool, o negocio é esse: so bebi pra valeeer nas crew parties, mas como o tempo é limitado, não chego a ficar loucão. O que é otimo, porque ressaca moral aqui deve ser FODA!! Vc nao tem pra onde fugir. Vê e vera as mesmas pessoas todos os dias, por meses. E todos vão saber o que você fez. Não tenho vergonha de dizer que aqui não sou o mesmo que em terra. Você não pode ser o mesmo, é simples assim. Você tem que se segurar, pensar no que faz e, especialmente, no que fala. Não rola ficar falando de picas com qualquer um, mesmo com os novos amigos, tipo a Andrea, porque aqui você não tem um mundo de opções de pessoas pra escolher pra amigo, como acontece em terra. Parece estranho, mas é acostumavel. Mas realmente não é pra qualquer um. To me considerando muito adaptavel e tenho orgulho disso.
O tempo...
Tento sempre seguir pensando numa coisa que uma mina aqui me disse no meu segundo dia. aqui é igual Alcoolicos Anônimos: é soh por hoje. Porque se você ficar pensando que tem oito meses de contrato pra cumprir, vc enlouquece. Sobrevive-se diariamente.
Fiquei feliz com a escala, apesar de não ser muito facilitadora pra descer nos lugares, por enquanto. Vim pensando que trabalharia 13h por dia ou mais, mas até hoje so trabalhei entre 9 e 11h, dependendo do dia.
Aqui me sinto naquele filme "Contra o Tempo", com o Justin Timberlake, em que você vive correndo, olhando pra um relogio que é parte de você, porque tempo é vida. Eu ja sei quanto tempo levo pra trocar de roupa, pra trocar de uniforme, pra fazer a barba, pra atravessar o navio pra ir pro refeitorio, pra fumar um cigarro. E faço tudo muito rapido. Isso porque você calcula minutos e aproveita cada minuto de folga. Seja pra dormir, comer, beber, sair, passear, socializar.
Amanha talvez eu dê um rolê por Montevideo, nas minhas três horas livres à tarde --' Alias, alguém sabe se a Irene ta morando la ou em Curitiba? Se for la, alguém ja deixa ela de sobreaviso, porque to em Montevideo toda semana e adouraria encontra-la.
Bom, vou indo nessa porque tenho 1h e 24 minutos pra dormir, pra me arrumar em 13 minutos pra me encontrar com o piah às 22h30. Isso porque levo uns 3 minutos pra atravessar o navio pra chegar no bar. hahahaha
Ainda nesse assunto e voltandinho ao meu cabinmate... eu tava por cima da carne seca depois que ouvi ele falando de mim, mas é calaaaro que dei um jeito de pisar na bola. Numa noite dessas, uma semana atras, depois do crew bar, o Silvio me liga. Este é um dos que são a fim de mim. Trabalha no shopping, um amorzinho, mas parece o Ben de Lost, pra quem assistiu. Este me ligou na cabine, quase madruga, perguntando se eu queria ir dormir com ele. Como nao sei dizer nao, falei pra ele descer pra minha. Com o telefone, o Thom acordou, perguntou quem era, eu disse que era engano. No meu raciocinio de bêbado, ele iria dormir nos proximos 30segundos, antes do Silvio chegar. Aham. O Silvio chegou, trouxe ele mocado pra minha cama e ficamos de pegaçao um bom tempo até que o Thom, obviamente acordado, levantou, se vestiu no escuro e, puto da cara, saiu da cabine sem dizer palavra. No outro dia, pedi desculpas e, enfim, continuamos nos suportando. Mas, na moral, ele so come, dorme e trabalha. E trabalha mal, ta sempre se estabanando ao atender passageiros, da muita informação errada. Nao fez amigos, é chato e fede. Como eu disse, ele nao tem perfil, tadinho. Sobre o Silvio, ele ficou todo meloso pra mim nos dias seguintes, ao que nao correspondi. Soube que ele ja se ligou que ja era, a Andrea, tb amiga dele, me contou. C'est la vie...
Anteontem teve crew party. Foi a segunda. E pela segunda vez fomos pra crew bitch, soh as fervidas, la pelas 2h, qd o bar fecha. E de la, fui pra cabine de um italiano que, gente, creiam-me: é um TENOR. Assisti um show dele esses dias. Peguei meu proprio Andrea Boccelli hahahah... é um tiozao gostosao, meio fetiche "bear", com um pinto mara. Ele ta de rolo com uma bichinha casada, que embarcou no mesmo dia que eu, cujo marido esta sendo transferido pra este navio. Vagabundinha. O caso é secreto, porque aqui a fofoca voa. Mas, bem relacionado que ja estou, descobri. E hoje ela veio me perguntar se eu tinha pegado o Samuele, ao que obviamente respondi que não. Em tom de brincadeira, disse que me esfolava na gilete se descobrisse. Tadinha, ela tem um caso, o marido ta pra chegar e ela acha que pode ME chantagear --'
Meu bloqueio psico-sexual super felizmente não deu sinal de existência aqui. E que assim permaneça para todo o sempre, amém.
Bom, com o Samuele acho que posso transar eventualmente, porque ele pega todo mundo mesmo, na discrição. é italiano, quem fofoca mesmo são os brasileiros. Mas semana passada embarcou um paulistano, do Room Service, e hoje saimos pra almoçar juntos em Buenos Aires. Vou tirar um cochilo agora e mais tarde vou encontra-lo no crew bar. é a primeira vez que to a fim de alguém que ta a fim de mim.
Sobre alcool, estou bebendo mais em frequência e menos em quantidade. Todo fim do dia, vou no crew bar, pego uma cerveja e vou pro smoking point, fumar todos os cigarros que deixei de fumar nas horas de trabalho. Também aprendi que fumar no banheiro é susse. Um amigo me contou que conhece duas pessoas no navio que fumam bec, mas não me contou quem são, por discrição, embora eu lhe tivesse me descrevido como "maconheiro em abstinência". até eu achar os maconheiros aqui ainda leva um tempo acho.
Enfim, genchy, quanto a alcool, o negocio é esse: so bebi pra valeeer nas crew parties, mas como o tempo é limitado, não chego a ficar loucão. O que é otimo, porque ressaca moral aqui deve ser FODA!! Vc nao tem pra onde fugir. Vê e vera as mesmas pessoas todos os dias, por meses. E todos vão saber o que você fez. Não tenho vergonha de dizer que aqui não sou o mesmo que em terra. Você não pode ser o mesmo, é simples assim. Você tem que se segurar, pensar no que faz e, especialmente, no que fala. Não rola ficar falando de picas com qualquer um, mesmo com os novos amigos, tipo a Andrea, porque aqui você não tem um mundo de opções de pessoas pra escolher pra amigo, como acontece em terra. Parece estranho, mas é acostumavel. Mas realmente não é pra qualquer um. To me considerando muito adaptavel e tenho orgulho disso.
O tempo...
Tento sempre seguir pensando numa coisa que uma mina aqui me disse no meu segundo dia. aqui é igual Alcoolicos Anônimos: é soh por hoje. Porque se você ficar pensando que tem oito meses de contrato pra cumprir, vc enlouquece. Sobrevive-se diariamente.
Fiquei feliz com a escala, apesar de não ser muito facilitadora pra descer nos lugares, por enquanto. Vim pensando que trabalharia 13h por dia ou mais, mas até hoje so trabalhei entre 9 e 11h, dependendo do dia.
Aqui me sinto naquele filme "Contra o Tempo", com o Justin Timberlake, em que você vive correndo, olhando pra um relogio que é parte de você, porque tempo é vida. Eu ja sei quanto tempo levo pra trocar de roupa, pra trocar de uniforme, pra fazer a barba, pra atravessar o navio pra ir pro refeitorio, pra fumar um cigarro. E faço tudo muito rapido. Isso porque você calcula minutos e aproveita cada minuto de folga. Seja pra dormir, comer, beber, sair, passear, socializar.
Amanha talvez eu dê um rolê por Montevideo, nas minhas três horas livres à tarde --' Alias, alguém sabe se a Irene ta morando la ou em Curitiba? Se for la, alguém ja deixa ela de sobreaviso, porque to em Montevideo toda semana e adouraria encontra-la.
Bom, vou indo nessa porque tenho 1h e 24 minutos pra dormir, pra me arrumar em 13 minutos pra me encontrar com o piah às 22h30. Isso porque levo uns 3 minutos pra atravessar o navio pra chegar no bar. hahahaha
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
News from board
Você é jogado no navio, que parece um labirinto. é apresentado aos chefes, em italiano, que descobrem que você, da recepção de um navio de uma empresa italiana, não fala italiano. estou na minha cabine, é meu quinto dia. não sei por onde começar, porque parece que fazem cinco semanas, pelo menos, que saih de curitiba.
Meu cabinmate
Estou morando com piah que embarcou no mesmo dia que eu, o Tomas, que também é guest service. é carioca, o pai é francês, então nem preciso dizer que ele não tem nada de carioca, pq a malice francesa sempre havera de prevalecer no sangue ele é magrelo, alto, gostosinho (bendita genética francesa), com aqueeeles dentes (maldita higiene bucal francesa). me pareceu convivivel, mas desde o inicio soube que nao teriamos assuntos afins. ele é certinho, tem uma postura, um jeito de falar educado que irrita e não parece beber. mas hoje aconteceu A situação, então nesse momento eu queria mesmo é que ele pegasse fogo. Num treinamento, numa sala, cheguei e sentei atras dele, do que ele não se deu conta. ele conversava com um cara, também recém chegado. falavam de mulher e tal e o Thomas disse que queria morar sozinho numa cabine porque o roommate dele (eu) era... e fez aquele gesto da maozinha quebrada. e acrescentou: to me sentindo em extinção, na recepção todos são (gays). poderia ter me segurado pra ouvir mais, claro, mas claro que disse, sem me alterar: to aqui, Thomas =) O cara não sabia onde enfiar a cara e me pediumil desculpas, sempre começando com aquele papo "Você sabe que eu não tenho nada contra..." Aham, Claudia. Um: não sei nada de você, nem te conheço. Dois: cago pro que você pensa. Claro que não era hora nem local pra discutir qualquer coisa com um bosta como ele e claro que não vou fazer a maldito, afinal moro numa cabine de 10m2 E trabalho com ele. Mas contei SIMa situação pra uma broda e um broda (bicha) na recepção, que ja nao iam muito com a cara dele. Agora não vão MESMO. Homofobia não é uma coisa muito bem vista por aqui. E outra, não é por nada, mas ele não tem NENHUM perfil. Espero que peça agua.
O trampo
Gostei dos meus colegas e dos meus chefes. Todos se dão bem e não tem a paunocuzice que eu esperava. A minha Sênior é uma senhora muito feia, mas muito gente boa. Mas tenho medo de vê-la puta da cara. Sabe aquelas pessoas que de carinha sorridente podem virar um capeta se ficam irritadas. Ja vi ela destratar passageiros, é demais. Tem a Andrea, linda e de humor acido. Fica inexpressiva quando um passageiro chato esta reclamando, tenho tentado imitar a cara dela. Pena que não bebe, poderia ser parceira. Tem o Johnatan, uma bichinha muito caricata, toda engimadinha, no primeiro dia não tinha ido muito com a cara dele, mas agora vou. O jeito dele me lembra o Jones, meu antigo roommate, pra quem conheceu. E tem o Cleiton, uma bicha mineira, que eu tinha curtido no curso da Costa, não sei porquê, é muito feio. Risos. é gente boa, sotaquezinho caipira e tal, mas como os demais, não bebe. Tem a Sonali, que é mais ou menos Guest Service, que é otima pra explicar e tal, super prestativa, engraçada, mas por algum motivo algo me diz que minha AMIGA ela não vai ser. Pena, porque essa sim bebe =/ E a Veronica, também mais ou menos da minha função, uma italiana, coisa mais linda, meiga, prestativa, bebe... poderia ser minha best, mas logo desembarca e, como namora nosso chefe, não a vejo muito fora do trampo.
O trampo é tipo recepção de hotel. Reclamações parecidas, com alguns adicionais. Hospedes e passageiros são malas iguais. Mas uma coisa que eu não sabia, eu descobri: eu DETESTO argentinos. Taih um povinho pobre mais chato e metido a besta que os brasileiros emergentes. NOJO. E vou ter de aguenta-los por pelo menos dois meses. To aprendendo muito rapido. São cinco dias e ja sei fazer quase tudo, ao contrario do Thomas, beijos. Alias, ser chamado de Tom por aqui é algo que definitivamente não vai rolar. Na recepção tem um Cleiton e ja tinha um Thomas. Com a chegada do novo Thomas, este passou a se chamar Thom, pra ser diferenciado. Eu estou tento que me reacostumar a usar meu proprio nome, and it sucks. A lot. Estão me chamando de Gy, pra facilitar, o que até prefiro. Mas aih toda vez que alguém cha&ma o Thom, eu olho/respondo e quando me chamam, têm que ficar gritando "Gy" mil vezes porque eu não me dou conta de que sou eu. Acho que meus colegas ja me curtem. Percebo muito a diferença de tratamento a cada dia.
Meu cabinmate
Estou morando com piah que embarcou no mesmo dia que eu, o Tomas, que também é guest service. é carioca, o pai é francês, então nem preciso dizer que ele não tem nada de carioca, pq a malice francesa sempre havera de prevalecer no sangue ele é magrelo, alto, gostosinho (bendita genética francesa), com aqueeeles dentes (maldita higiene bucal francesa). me pareceu convivivel, mas desde o inicio soube que nao teriamos assuntos afins. ele é certinho, tem uma postura, um jeito de falar educado que irrita e não parece beber. mas hoje aconteceu A situação, então nesse momento eu queria mesmo é que ele pegasse fogo. Num treinamento, numa sala, cheguei e sentei atras dele, do que ele não se deu conta. ele conversava com um cara, também recém chegado. falavam de mulher e tal e o Thomas disse que queria morar sozinho numa cabine porque o roommate dele (eu) era... e fez aquele gesto da maozinha quebrada. e acrescentou: to me sentindo em extinção, na recepção todos são (gays). poderia ter me segurado pra ouvir mais, claro, mas claro que disse, sem me alterar: to aqui, Thomas =) O cara não sabia onde enfiar a cara e me pediumil desculpas, sempre começando com aquele papo "Você sabe que eu não tenho nada contra..." Aham, Claudia. Um: não sei nada de você, nem te conheço. Dois: cago pro que você pensa. Claro que não era hora nem local pra discutir qualquer coisa com um bosta como ele e claro que não vou fazer a maldito, afinal moro numa cabine de 10m2 E trabalho com ele. Mas contei SIMa situação pra uma broda e um broda (bicha) na recepção, que ja nao iam muito com a cara dele. Agora não vão MESMO. Homofobia não é uma coisa muito bem vista por aqui. E outra, não é por nada, mas ele não tem NENHUM perfil. Espero que peça agua.
O trampo
Gostei dos meus colegas e dos meus chefes. Todos se dão bem e não tem a paunocuzice que eu esperava. A minha Sênior é uma senhora muito feia, mas muito gente boa. Mas tenho medo de vê-la puta da cara. Sabe aquelas pessoas que de carinha sorridente podem virar um capeta se ficam irritadas. Ja vi ela destratar passageiros, é demais. Tem a Andrea, linda e de humor acido. Fica inexpressiva quando um passageiro chato esta reclamando, tenho tentado imitar a cara dela. Pena que não bebe, poderia ser parceira. Tem o Johnatan, uma bichinha muito caricata, toda engimadinha, no primeiro dia não tinha ido muito com a cara dele, mas agora vou. O jeito dele me lembra o Jones, meu antigo roommate, pra quem conheceu. E tem o Cleiton, uma bicha mineira, que eu tinha curtido no curso da Costa, não sei porquê, é muito feio. Risos. é gente boa, sotaquezinho caipira e tal, mas como os demais, não bebe. Tem a Sonali, que é mais ou menos Guest Service, que é otima pra explicar e tal, super prestativa, engraçada, mas por algum motivo algo me diz que minha AMIGA ela não vai ser. Pena, porque essa sim bebe =/ E a Veronica, também mais ou menos da minha função, uma italiana, coisa mais linda, meiga, prestativa, bebe... poderia ser minha best, mas logo desembarca e, como namora nosso chefe, não a vejo muito fora do trampo.
O trampo é tipo recepção de hotel. Reclamações parecidas, com alguns adicionais. Hospedes e passageiros são malas iguais. Mas uma coisa que eu não sabia, eu descobri: eu DETESTO argentinos. Taih um povinho pobre mais chato e metido a besta que os brasileiros emergentes. NOJO. E vou ter de aguenta-los por pelo menos dois meses. To aprendendo muito rapido. São cinco dias e ja sei fazer quase tudo, ao contrario do Thomas, beijos. Alias, ser chamado de Tom por aqui é algo que definitivamente não vai rolar. Na recepção tem um Cleiton e ja tinha um Thomas. Com a chegada do novo Thomas, este passou a se chamar Thom, pra ser diferenciado. Eu estou tento que me reacostumar a usar meu proprio nome, and it sucks. A lot. Estão me chamando de Gy, pra facilitar, o que até prefiro. Mas aih toda vez que alguém cha&ma o Thom, eu olho/respondo e quando me chamam, têm que ficar gritando "Gy" mil vezes porque eu não me dou conta de que sou eu. Acho que meus colegas ja me curtem. Percebo muito a diferença de tratamento a cada dia.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Cudomundopolis
é muito choque de realidade, né nao, minha gente. Cheguei a Mineiros às 20h em 14/09/11. à 0h40 desse mesmo dia eu tava em Madrid (horario local). E no dia anterior eu estava dando voltas pelos Jardins de Luxemburgo pra me despedir de Paris. Quer dizer…
De volta pra casa
Bom, e ai que os cinco ou seis dias que me restaram em Lyon passaram voando e nada de tao emocionante aconteceu, exceto mais uma despedida no Crazy (regado a tequila, benzina e dark room), comi rã à francesa e fui comido também por um negro à francesa. Matei dois coelhos com uma caixa d’agua so: negro e francês. Mas ain, sério, conto isso pessoalmente depois. Sei que nao vou esquecer dessas coisas também, entao elas nao precisam estar escritas. Pregui. A estada em Paris também foi sem grandes emoçoes. Exceto por ter chegado no 11 de setembro, sem me tocar, e depois ter pego metrô chapado com minha host, enquando ela me contava que os parisienses evitam o metrô nessa data. Bad de novo nos metrôs europeus. Fora isso, foram passeios tranquilos, a host parisiense mais querida do mundo, nostalgia, homens lindos por todos os lados…
O que to com vontade de contar é que me despedi da França com um pôr-do-sol maravilhoso pela janela do avião. Agora to no aeroporto de Madrid, esperando o voo pra Sao Paulo. Ao pesar minhas duas malas despachadas (ainda em Paris), soube que tenho 38 quilos de bagagem. O limite de Sao Paulo pra Goiânia é 23kg. Joia. Culpa minha de ser burro demais, mas agora so vou pensar nisso daqui a umas 12h. Ja estou bem feliz de ter passado sem nenhum problema pela imigraçao com 11 dias de visto vencido. Bom, isso ainda nao era o que eu queria contar. Estar aqui na sala de espera, pela primeira vez em meses cercado de dezenas de brasileiros desconhecidos, me da uma descrença. Nao é por nada. Mas, pô, TODOS os homens de tênis, calça jeans e camiseta. Ai, saquinho viu. Ups ! E nao é que ao terminar de escrever isso, vejo uma exceção à regra !! Nao é que to vendo um rapaz de camisa listrada e…. calça tochada, chapeu branco de vaqueiro e cinto de fivela de bandeja ?!?! Em Madridi ! Vou ali trocar ideia com ele, numa dessas pego uma carona de trator até Goias !
O que to com vontade de contar é que me despedi da França com um pôr-do-sol maravilhoso pela janela do avião. Agora to no aeroporto de Madrid, esperando o voo pra Sao Paulo. Ao pesar minhas duas malas despachadas (ainda em Paris), soube que tenho 38 quilos de bagagem. O limite de Sao Paulo pra Goiânia é 23kg. Joia. Culpa minha de ser burro demais, mas agora so vou pensar nisso daqui a umas 12h. Ja estou bem feliz de ter passado sem nenhum problema pela imigraçao com 11 dias de visto vencido. Bom, isso ainda nao era o que eu queria contar. Estar aqui na sala de espera, pela primeira vez em meses cercado de dezenas de brasileiros desconhecidos, me da uma descrença. Nao é por nada. Mas, pô, TODOS os homens de tênis, calça jeans e camiseta. Ai, saquinho viu. Ups ! E nao é que ao terminar de escrever isso, vejo uma exceção à regra !! Nao é que to vendo um rapaz de camisa listrada e…. calça tochada, chapeu branco de vaqueiro e cinto de fivela de bandeja ?!?! Em Madridi ! Vou ali trocar ideia com ele, numa dessas pego uma carona de trator até Goias !
Assinar:
Postagens (Atom)